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.:: A l i c E no P a í S do L s D::.
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Drogas, sexo e psytrance. Como ser careta se exite fátima bernardes, gugu, vera loyola e colunistas sociais? Não quero ser chata, mas sim ser mais careta com LSD do que com a novela das oito. Leia, interaja, viva o non sense do real world.
Segunda-feira, Junho 30, 2003
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Acho que não irei mais na Trancendence.
Sim, é verdade. Me dispuz a perder o maior evento psy por causa do meu namorado.
Mas a verdade é que se ele não puder ir, não tenho porque ir sozinha. Já tentei imaginar como seria a viagem sem meu amor. Seria como todos os festivais em que fui sozinha: tristeza, saudades, solidão. Ninguém gosta do meu itinerário. Eu não sou de pista, nem fico lá. Gosto das periferias, do mato, cachoeira, restaurantes, chill out. E gosto de fazer isso sempre com a cabeça muito cheia de ácido. As pessoas em geral fritam na pista o dia e a noite inteira. E sempre acabo sozinha.
Mas o Oren não me larga sozinha. Aliás, ele é como eu, periférico. A não ser quando o som que ele curte está tocando, como eu.
Então, não tenho nada a perder.
Vou ficar, ir pra campos, ubatuba, sei lá. Só sei que vou ficar ao lado dele.
Esse fds fui pra Sampa, de novo. Fomos pra Guarapiranga. Foi legal. Continuo me sentindo estranha. Acho que ele meio que desencantou. Foda-se.
Se tem que ser assim, assim será.
postado por: sagaz 6:56 PM
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Sexta-feira, Junho 27, 2003
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Como havia prometido, minha ida à Sampa.
Eu tinha ido pra Sampa com o intuito de "discutir a relação" com meu namorado. Alguma coisa me incomodava e achei que se conversasse tudo melhoraria.
Chegando lá, esqueci de tudo. Não queria me estressar, ou até me esforçar neste âmbito.
Pela primeira vez vi meu namorado dirigindo em São Paulo. Ele se transforma. Muito nervoso. Estranhei. Conheci a família. Não me senti à vontade. Não gostei do jeito com que ele lidá com os irmãos e a mãe. O pai mal trocou duas palavras comigo. Foda-se. Isso não é importante.
O quarto dele é uma delícia, não dá vontade de sair. Fizemos muito sexo.
Fui na psybreja. Tava muito massa e eu resolvi enfiar o pé na jaca. Enxi a cara, tomei um doce, dormi nas cadeiras do bar. Vomitei quatro vezes e não lembro como voltei pra casa do Oren. Foi ótimo. Alguns caras me chavecaram discaradamente, inclusive um grande amigo dele, o que eu achei péssimo. Mas não devo comentar. Isso é problema dele. Quem manda ter uma namorada tão gostosa? Hahahaha, quem lê pensa...
No meio da balada fiquei menstruada. Graças à deus. Toda vez que mentruo é uma aleluia, primeiro porque eu vejo que sou uma mulher fértil e que estou preparada pra ser mãe, segundo porque eu não fiquei grávida. Apesar do meu enorme desejo de ser mãe, não é agora que ele deve se concertizar.
Dormi até umas duas da tarde. E não encontrei os pais dele pelo menos até às 5. Sorte, porque eu tava com uma cara de passada sem noção. Uma dor de cabeça insuportável. Mas é incrível como o Oren consegue, toda vez, tirar a minha dor, com aquela massagem que ele faz na nuca. Às vezes parece que ele não é desse plano. Um anjo, algo assim.
Nesta tarde fiz um amor maravilhoso. Meu deus, a única coisa que agente faz é se comer toda hora, muito estranho.
Não tem problema, se tem que ser assim, assim será.
postado por: sagaz 7:20 PM
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-O erro de Brian de Palma-
Acabei de assistir ao filme Femme Fatale, do Brian de Palma, sempre genial.
Se você não assitiu ao filme e pretende assistir, não te aconselho a continuar a ler este post, pois vou comentar o filme sem me preocupar em não revelar o grande lance deste.
O filme é bom. Boas cenas, boa trilha, bons atores e um tema bem estúpido. Uma mulher que às vezes é linda, e às vezes parece um traveco. Mas acho que as mulheres verdadeiramente belas são meio assim: Lindas e mutantes. Esta em particular faz um papel quente. Uma das primeiras cenas é uma picante transa de mulheres no banheiro do famoso festival de Cannes, e esta mesma transa com o único propósito de roubar 10 milhões de dólares em diamantes. Claro, uma estupidez. Mas vale a pena pelas duas beldades, loira e morena, na maior libertinagem, com direito a glamour e sangue.
Mais um monte de coisas idiotas acontecem, tudo com muita classe, como Brian com certeza faz. Mas a grande virada do filme, que é logo no fim, que me causou a necessidade de contestamento, e pra variar, eu não concordei com o andamento da história.
Até certo ponto, a história toma rumos quase trágicos, pontuado pela "morte" da personagem principal. Agua, renascimento. Ela caí de uma ponte, há uma cena de interpelação entre uma realidade e outra, e ela emerge à superfície, acordando de um sonho.
Novamente desperta, voltamos para a cena da primeira meia hora do filme, onde ela observa uma mulher prestes à se suicidar.
Ela, ao acordar, lembra que tinha acabado de sonhar isso, e resolve fazer diferente do sonho. À partir de então, a vida toda dela toma outros rumos.
Aí que se explica o título. Pode se dizer que o título do filme deveria ser deja vu, ou deja vuo, como vi escrito diversas vezes no próprio filme, num cartaz que apareceu algumas vezes durantes as cenas. Estava escrito deja vuo 2008. Entende? Era tipo um cartaz de filme, e o filme foi lançado em 2001, e durante a história, passam-se sete anos. Ele deu todas as dicas, esse de Palma...
Mas o que eu realmente não concordo é com o timing. Primeiro: O sonho dela acontece logo que ela desperta dele. Geralmente um deja vu de sonho não ocorre assim, costuma levar dias, semanas, meses, anos...
Segundo: Se ela realmente estivesse sonhando com o futuro, durante o sonho ela saberia que era dejavú com certeza, olha que sou expert nisso, vivo num rewind-fast foward constate.
Bem, é isso. Me identifiquei com o filme.
Fora tudo isso, tem o lance de ir pra Sampa ontem, o que comento amanhã.
postado por: sagaz 4:02 AM
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Segunda-feira, Junho 23, 2003
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Kamayurá e o fim de semana do feriado.
Alguma coisa estranha está acontecendo. Não sei o que há, não vejo problemas aparentes.
Mas não entendo esse abismo que me separa do Oren. Não entendo. Não achei que essas nossas diferenças seriam um problema, mas acho que são. Não consigo entender o que ele é. Acho que nem ele sabe. Não vejo uma razão na vide dele, e isso me irrita profundamente. Mas como eu resolvo isso?
Nem posso imaginar. Ele foi embora ontem, pq tinha mesmo que ir. Mas foi tão estranho, os últimos dois dias foram estranhos e longos, e as coisas estavam assim, distantes. Não consigo mais sonhar. E acho que algo se passa com ele também. Notei que no domingo ele não conseguia olhar pra mim com o mesmo carinho, e se enterrava com o rosto no braço, apoiado nas pernas, olhando para o chão, como uma criança mau criada.
As tentativas de responder aos meus sorrisos eram infelizes. Aqueles esboços no rosto dele não faziam nem uma ruguinha no canto da boca, os olhos nem cerravam um pouco, como faziam antes. Era aquela coisa amarela, escondendo um sentimento dilacerante por trás de uma máscara que não me enganou.
O que eu faço? Acho que vou ter que ir até São Paulo pra conversar com ele.
Tenho um nó na garganta. E é só o começo da semana.
postado por: sagaz 10:32 AM
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Terça-feira, Junho 10, 2003
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Festival Psyzone:
Um dos lugares mais bucólicos que já vi. Uma paisagem de quadrinho de buteco, destas bem pitorescas. Uma enorme represa artificial proporcionava o cenário perfeito para uma viagem lisérgica com alto teor de romance.
Acampei no meio de um bosque, povoado de formigas e aranhas. Interessante como as formigas trabalham... Fiquei horas observando. Já viu como uma formiga corta uma folha verdinha? É realmente interessante esse sistema de trabalho em conjunto. Eram tantas que se ficasse em silêncio total, dava pra ouvir discretos estalos o tempo todo. Eram elas, arrastando, cortando, levantando, puxando pedaços de folhas dos mais diversos tamanhos...
O pôr do sol, visto da beira da represa, parecia uma animação. Talvez pelo forte efeito do ácido, os contornos das montanhas, com suas minúsculas árvores no horizonte dançavam ritimadamente com o som do psytrance, e as nuvens, num balé sincronizado, subiam e desciam, alucinando minha imaginação. Seria viagem minha ou realmente elas dançavam?
Um infinito espectro de cores se espalhava pelo céu, divido por uma núvem que explodia na frente do sol poente, como um vulcão havaiano. Lilás, laranja, amarelo, raios verdes e azuis... Todo o arco íris. Só que desta vez, espalhado por todo horizonte. Fecho os olhos e sinto o cheiro de mato.
Abro os olhos e vejo meu homem, o pais dos meus filhos, meu amado. Este permaneceu ao meu lado, quase que o tempo todo, sem que em nenhum instante, me importunasse. Pelo contrário, era a companhia perfeita. Cuidou de mim como um pai, me incentivou como um diabinho, me comeu como um rei.
Nunca vi algo assim: naquele momento, naquela pequena tenda no meio do bosque, eu já não sabia que parte de mim terminava e que parte dele começava. Tudo era som, imagem, tato, gosto, cheiro. A linha imaginária que me separa de Oren chegou a se tornar suficientemente tênue para me confundir com ele, como se eu tivesse entrado dentro de um espelho, e aquele infinito mundo virtual se tornasse por um instante apenas uma linha de pensamente puro e fluído, e todas as emoções, as físicas e as imaginárias, fossem fundidas como metal.
E o gozo, tão intenso que pensei que fosse um momento de alucinação, mais uma alucinação. Mas não era. Prova disso eram minhas mãos, que travaram como se eu tivesse tido diversas convulsões. Elas não se mexiam, contraídas para dentro, lembrando uma velhinha que sofrera um derrame cerebral. Mas era a descarga elétrica, tão forte e intensa, que me paralisou. Era sexo. Do jeito mais certo que se podia fazer.
Último dia: descanso. Dormir nas sombras das árvores nos braços do meu amor. Comer, tomar banho, arrumar malas, dar tchau.
tchau.
Não foi difícil dar tchau. Chegar em casa foi maravilhoso.
Engraçado foi a parada num restaurante na beira da Fernão Dias, às onze da noite, para comer um PF. O dono do restaurante, um velhote pentelho e locão, nos achou com cara de maconheiros e ficou enchendo o saco. Mal deu pra saborear direito a comida, minha pressa de me livrar daquele velho era maior.
Aqui em Campinas as coisas estavam iguais.
Cheguei e apaguei na mesma hora, pela primeira vez pedindo ao meu Oren que não tentasse fazer sexo. Eu queria relaxar.
'Facú tá a mesma merda. Odeio aquilo. queria viver de amor, seria possível?
postado por: sagaz 10:55 PM
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Terça-feira, Junho 03, 2003
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Tá bom, tá bom! Já enjoaram das melosidades da mulher apaixonada...
Eu sei, então vou comentar fatos corriqueiros...
Ontem eu fiz um teste para um programa de TV. É um programa de turismo alternativo, estilo o "Mochilão", da MTV.
Acho que o cara lá, o produtor, me curtiu. Seria bom arranjar um trampo assim, de fim de semana, viajando pra vários lugar lindos, comendo e dormindo nos melhores lugares e ganhando o suficiente para pelo menos suster meus luxos: Cinema, balada, viajens, drogas.
Hoje eu resolvi escrever para uma amiga depois de achar o blog dela.
Bom, estou totalmente sem inspiração bloguística... Acho que é a correria para agilizar aquela merda de faculdade.
"Hoje sonho com amanhã. Amanhã verei meu amor."
postado por: sagaz 8:59 PM
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