|
.:: A l i c E no P a í S do L s D::.
|
Drogas, sexo e psytrance. Como ser careta se exite fátima bernardes, gugu, vera loyola e colunistas sociais? Não quero ser chata, mas sim ser mais careta com LSD do que com a novela das oito. Leia, interaja, viva o non sense do real world.
Sexta-feira, Julho 25, 2003
Quarta-feira, Julho 23, 2003
 |
 |
 |
 |
Pain and pleasure: as coisas que eu ainda não falei
Não consegui até agora pensar exatamente no que escreveria neste post.
Só havia pensado num bom título, e o motivo para ele.
Pain and pleasure porque hoje sei que escolhi o caminho da dor para que todo o auto conhecimento venha à tona com mais clareza. Acho que funciona como um parto. Dizem que o parto é a experiência mais traumática do ser humano. Imagine viver numa concepção completamente diferente. Respirar líquido aminiótico, comer pelo umbigo... E de repente, alguém te puxa por um canal estreito onde seu crânio é pressionado ao limite máximo, juntamente com o seu corpo e seus ombros sendo deslocados e recolocados para que você saia pra um lugar muito mais frio e menos denso, onde não existe o conforto das paredes abdominais da sua genitora, nem o tranquilizante som de fluidos e batimentos cardíacos. E ter que respirar ar, que te enche de uma maneira totalmente nova e incômoda, e te dá enjôo e dor. Mas mesmo assim, como é bom viver! Sair para a vida em contato com as outras pessoas... Aprender... Amar...
Pois sinto que cada descoberta sobre mim mesma é uma etapa do meu segundo nascimento. Um parto lento e doloroso.
Eu li num livro, sobre a pele, que o bebê humano é o único que nasce sem estar com sua formação física completa. Isso ocorre porque a nossa cabeça não passaria mais pelo canal se demorar mais do que ele costuma demorar. E que os dez meses seguintes ao nascimento são como uma gestação extra uterina que tem um nome bem específico, mas agora eu não vou conseguir lembrar.
Agora, se eu demorei dez meses depois que eu nasci para virar um ser humano completo, fisicamente, claro, imagine quanto tempo se demora para se completar um processo de individuação como o que eu estou passando agora? E o pós-processo? Será que ele tem continuidade?
Penso em todas essas coisas porque estava tentando decifrar meus últimos sonhos.
- Eu convivi dois meses com o Oren. Neste tempo, em nenhuma noite sequer, me lembro de ter sonhado com ele, nem uma vez. Isso é estranho, já que sonho muitas coisas.
Já o Cláudio, que conheço à umas duas semanas, já passou pelos meus sonhos pelo menos três vezes, que eu me lembre.
Não que isso tenha acontecido porque eu esteja envolvida ou apaixonada ou qualquer coisa. Isso quer dizer que, no meu inconsciente, ele representa alguma parte muito importante de mim que está em evidência, e nas minhas sondagens e ligações vejo algumas possibilidades.
Nestes sonhos ele aparece como elemento complementar de mim, realizando coisas importantes. Existe aí uma manifestação dual. Eu e ele, formando uma dupla, em todos os sonhos que lembro.
Nos sonhos que tive nos últimos meses eu entrei em conflito com meu Animus de diversas maneiras. Estas manifestações masculinas do meu Eu me diziam que eu podia me sentir segura para ser mais frágil.
Ele, o Cládio, provavelmente assumiu a figura do meu Animus. Talvez por sua atitude Pai, ou pelo simples fato de ele ser uma pessoa bem mais velha do que eu, mas que tem uma posição igualitária na minha psique.
Ótimo. É bom ter consciência das coisas, apesar de ser doloroso.
Agora sei o que ele talvez represente pra mim.
É uma coisa muito boa para se analisar. Mal posso esperar pela próxima sessão na terapia. E por mais um sonho com o Cláudio.
postado por: sagaz 12:44 AM
Comments:
|
 |
 |
 |
 |
Terça-feira, Julho 22, 2003
 |
 |
 |
 |
"Now you say you love.
Well, just prove you do
Go on and cry me river,
i´d like to see you cry a river,
'cause i'm tired of cring over
You."
Se ele viesse, pedindo, rasetajndo, implorando meu amor de volta, esta seria a música que cantaria pra ele. "Cry me a river" da Dinah Washington.
Se fosse o outro, o Homem, meu louro coroa, seria "What a difference a day makes".
"What a difference a day makes.
Twenty four litlle hours...
Brought the sun and the flowers
where there used to be rain."
postado por: sagaz 1:29 AM
Comments:
|
 |
 |
 |
 |
Sábado, Julho 19, 2003
 |
 |
 |
 |
Eu- A garota chavão e no fim, um recado para a ignorância alheia.
Estou no fim do poço e cavando, mas vejo, enfim, uma luz no fim do túnel.
Talvez isso pareça só uma bagatela de chavões, e não tem coisa pior do que esses lugares-comuns da linguagem dos limitados, cheios de clichês e modismos. A ignorância é inerente aos sem-coragem. A luta é eminente para os inconformados.
A minha inconformidade me colocou na posição de buscar um motivo real para o meu sofrimento alienante. A atitude do muleque, agora já sendo embalsamado para seu sepulcro, é, na verdade, pra mim, um reflexo do que eu mais abomino em mim mesma e luto constatemente contra esse defeito para que ele não tome conta de mim e reja a minha vida, como faz com o Oren. Conformista, preguiçoso, desmotivado, fantasioso, auto centrado, egoísta. E acima de tudo, inconsciente da própria condição, ou seja, ignorante de si próprio. Agora eu o matei, o risquei, o eliminei, porque será impossível amar alguém que seja tão conflitantemente oposto ao que eu sou. Mas ainda sim, mesmo já tomando as rédeas das minhas emoções, eu sofro com o fato de ter percorrido os extremos do afeto com tanta determinação e depois de tudo, ter a impressão de que o lado positivo dessa história toda mais parece uma mentira, ou um simples ato num momento de empolgação e imaturidade dele.
Anyway. Voltemos para a luz.
Tenho um novo homem na minha vida. Sim, já deu pra perceber que sou rápida, mas não é que eu seja rápida, é que estou numa fase boa, cheia de oportunidades, onde os homens tem me colocado numa posição onde eu tenho a possibilidade de escolher, optar, reinar com sabedoria.
Um homem. O homem mais velho com quem já estive antes. Meu amigo Barba, num dos seus emails inconseqüentes, me disse que eu precisava de um homem com H maiúsculo.
Está aí, Barba. Ele tem 36 anos, é um puta músico. Aliás, seu talento e paixão pela música foi o que me fisgou e me desprendeu de certas travas que eu tive quando tomei esse novo rumo.
Nos conhecemos em Goiás, da maneira mais absurda do mundo, e foi maravilhoso. Ele não fez questão alguma de esconder seu descarado interesse por mim, e eu simplesmente acatei às suas jogadas, já que a mim nada mais restava, a não ser me dar uma chance para ser feliz.
E como ele sabe me fazer feliz. Ele entende tudo o que eu falo, e fala das coisas que só eu entenderia. Ele sente as coisas da vida como um menino, mas haje como quem já leu a cartilha de trás pra frente, de cima pra baixo.
Ele não perde o encanto, e se dispõe a ser um grande amigo. E faz sexo como ninguém. E tem o maior pinto que eu já vi na vida, cheguei a não conter o riso quando o mirei realmente de perto, exclamando um espontâneo "Nossa, isso não vai entrar em mim não!"
Adoro sua compreensão com meu problema afetivo, e ele mesmo se dispôs a me ajudar sem deixar com que sentimentos inferiores interfiram no meu processo.
Acho que Cláudio é minha saída, ou melhor, minha entrada, num mundo mais maduro onde eu me sinta mais adequada, e páre de vez por todas de insistir em me encaixar na minha geração.
Recado para a ignorância alheia, ou "pessoa feliz":
Quem está satisfeito com a própria comida, não mexe no prato dos outros.
postado por: sagaz 9:54 PM
Comments:
|
 |
 |
 |
 |
Quinta-feira, Julho 17, 2003
 |
 |
 |
 |
Olá marcel!
Respondendo suas perguntas, LSA é uma semente de uma trepadeira que tem um princípio ativo similar ao LSD, mas é mais leve e a grande psicodelia desse aditivo é a distorção visual. Diferentemente do LSD, o LSA não me deu tanta confisão mental. Pelo contrário, me deixou meio tonta e com muito sono. Mas foi legal mesmo assim.
Já o lance do meu namorado, é o seguinte:
Se vc ler alguns posts anteriores, vai perceber que ele, na verdade, não estava nem um pouco como agora. Inclusive postei um email que, provavelmente, é um dos mais lindos que eu já recebi.
Mas de uns tempos pra cá algo ocorreu, e não sei o que é. E ele, taurino que só, não me deu uma justificativa plausível para a displiscência que reina agora no meu relacionamento.
Claro, isso confundiria qualquer mulher. Em um mês, fui a mulher mais amada e feliz do mundo, em outro, sou apenas uma namoradinha de fim de semana.
Veja bem, não é que ele não dê a mínima, foi o choque da mudança que me baqueou.
postado por: sagaz 11:32 AM
Comments:
|
 |
 |
 |
 |
Quarta-feira, Julho 16, 2003
 |
 |
 |
 |
Trancendence e a quase morte do meu amor pela vida
Socorro. São tantas histórias, tantos acontecimentos, tantas emoções intangíveis...
Bom, começo pelo começo.
- Fui numa festa, no fim de semana que ia para a casa da Glá, na Granja Viana. Que lugar espetacular. Seria ideal morar lá. A Glá deve estar feliz. Fizemos o ritual do fogo sagrado com os expansores de consciência, intercalados por batuques tribais inspirados pela energia conectiva da roda. Foi fantástico, espontâneo, feminino. Depois o Oren me pede para levá-lo pra São Roque, ali perto. Uma reunião de amigos, disse ele. Não me convidou, não se justificou. Deixei-o lá, triste e vazia, como a tempos vinha acontecendo. Porque essa mudança? Nem um pingo de necessidade que eu esteja presente. Não entendi, me entristeci. Volto pra Campinas, com o Dani e a Gabi. Ia rolar Psychotropic private. Nem pensei duas vezes, não fui. Decidi tomar novamente o rumo da Rapozo e ir para Nibiru, que me seria mais relaxado. Fui com o Barba e seus amigos. Brilhantes e lindo amigos. Me senti muito bem, eles são pessoas especiais. Acho que não me lembro de rir tanto com um bando de homens. Fazer clown desda vez teve um tom especial. A decoração da festa era irada. Encontrei o Alexis e ele fez um video meu. Conheci um maravilhoso casal pastilhado. Não quis voltar para Campinas. Dormi na casa de um amigo. Rolou um clima. Mas não consigo. Eu amo outro. Além do mais, eu faria esta pessoa sofrer demais. Ele é muito novo.
Segunda feira foi a deprê. Precisava ver o Oren. Fui até Higeanóplois tentar resolver minha relação. "Oren, quero saber se o fato de eu ficar aqui e não viajar é importante pra você, se você vai ficar comigo." "Não, não vou poder ficar com você, melhor você ir."
Eu quis morrer. Chorei. Fui embora aos prantos e pensei em me jogar nos trilhos no metrô. Besteira. Ele não merece nem isso.
Não conseguia me ajeitar para ir para Goiás. Não conseguia carona, não tinha mais convite. Estava de malas prontas e as lágrimas nos olhos, querendo pular. De ódio, de raiva. Porque fui tão ingênua? Porque não pensei só em mim?
- Dez horas da noite. Eu já havia amaldiçoado até a décima geração do Oren. Resolvi tentar uma última vez. Vou ligar pro Ique, talvez ele não tenha ido ainda.
Ele ainda não tinha saído, mas logo sairia. Às onze eles chegaram. O Rafa virou hippie e o Henrique continua barney. Mas foi agradável e em um pouco mais de doze horas eu estava na festa.
- A trancendence no ano passado não tinha sido uma experiência muito agradável. Talvez seja por causa do Mineiro. O Mineiro não foi uma experiência muito agradável, no geral.
Mas desta vez a situação era diferente. E foi na verdade muito legal. Acampei com meus amigos de Sampa. Usei algumas drogas novas, como a tal sementinha de LSA que me fez surtar na beira do rio durante umas seis horas, vivendo uma semi-infância enquanto o Mineiro chorava e fala um monte de coisas que não entendi nada. Mas parece que estamos resolvidos e pelo menos ele me entendeu.
Conheci uns hippies-índios e rolou uma super conexão. Conheci outro hippie coroa que me abraçou e não me largava mais. Foi estranho e emocionante. Brinquei com as crianças a tarde toda. Elas olhavam fundo nos meus olhos, como me questionando sobre quem sou eu. Me senti vigiada.
No chill out uma roda que surgiu espontaneamente girava em volta da fogueira e emocionava a nós, os espectadores. E chorei algumas vezes, vendo esta roda, e sozinha na cachoeira, e no rio, tentando vomitar. E todas as noites, sozinha na barraca, pensando no Oren e no que se passava na cabeça dele. E chorei no último dia, porque queria ir embora e ficar sozinha, para chorar mais.
Pegar o caminhão para chegar até o ônibus foi sacal. Dormi no chão, comendo poeira, enquanto esperava por cinco horas algum caminhoneiro filho da puta me cobrar dez reais por uma carona ridícula pela estrada empoeirada da Chapada.
Vinte horas de ônibus. Quase que acabei ficando em Alto, sem dinheiro nem para passar a noite num camping qualquer.
- Cheguei em Sampa, e pela bondade de uma quase desconhecida, pude tomar um banho quente e jantar. Esta menina com certeza se revelou uma boa pessoa.
Às dez horas consegui localizar o Oren, e ele foi me buscar. Sete dias sem se ver nem se falar. E não ouvi nem um "que saudade".
Me sinte estranha o tempo todo. No começo mais animada, com as novidades da viagem. Mas a cada história que eu narrava, eu sentia uma falta de interesse cada vez maior da parte dele. Chorei escondido.
Chegando no apartamento dele, sentamos para ver televisão. Ele dormiu e eu não senti vontade de fazer carinho. Eu queria chorar. E chorei mais, e ele não viu.
Fomos dormir. Deitei na cama, ele apagou a luz, eu já estava aos prantos. Ele não viu. Eu me encolhi num canto, me esforçando para que ele não ouvisse meus soluços. Meia hora depois já era impossível de disfarçar. Não sabia que dizer. Não sabia o que explicar. Eu senti ódio e tristeza, um vazia desesperador. Conversamos. Ele não me entendeu, eu não o entendi. Ele me disse que não estava disposto a viver um relacionamento do jeito que eu queria. Ele disse que eu queria uma marido. E isso ele não poderia ser.
Nem namorado ele está sendo, pra mim. Consegui dormir. Não queria encostar nele. Quando amanheceu, amanheci. Mais uma vez chorava sem parar. Ele não acordou. Socorro, não consigo parar de chorar. Dói tudo. Quero morrer, me mata, por favor.
Eram dez da manhã. Decidi ir embora. Ainda não havia conseguido parar de chorar. Resolvi acordar ele. "Oren, tenho que ir. Não consigo melhorar. Quero ajuda. Me ajuda". Ele não ajuda. Não sinto dele a empatia que uma pessoa normal teria. Sinto vontade de morrer. Ele não entende e me olha como se eu fosse uma aberração chorante. Socorro. Meus olhos não abrem, não posso sair na rua assim. Ele não insiste. Me diz que não posso ir naquele estado, mas não insiste quando me levanto e começo a me vestir. Se oferece pra ir junto, mas sem muita firmeza. Não, você tem que ficar. Mas pode ir até o ônibus comigo.
Choro todo o caminho, ele tenta me animar. E eu quero morrer.
Não sei o que pensar da minha vida, estou viciada na lembrança do que um dia ele me proporcionou. Se amor não é assim, não quero amar.
Não quero mais pensar em morrer, e não aguento mais chorar.
Só me resta um calmante, e dormir o resto do dia.
postado por: sagaz 4:20 PM
Comments:
|
 |
 |
 |
 |
Terça-feira, Julho 08, 2003
 |
 |
 |
 |
Reviravoltas e confusão na vida de Raquel.
Mais uma vez minha pauta é relacionamento.
Meus sentimentos pelo atual namorado se desmoronaram e agora flutuo num estranho mar de indecisão.
Alguns acontecimentos me fazem pensar se eu estou optando pelas pessoas certas. A vida é feita de escolhas, eu mesma disse isso. Mas eu exijo demais dos que estão ao meu redor. E ao mesmo tempo escolho pessoas com pouca capacidade ou vontade para eu dividir minha própria vida. Será culpa por ser tão exigente que acaba mantendo meus relacionamentos num nível muito inferior à minha total capacidade? Ou seria uma vontade inconsciente de me inferiorizar? Acho que a conbinação dos dois pode responder a minha questão.
Homens maravilhosos estão à espera de uma chance comigo. Pessoas que me proporcionariam caminhos suaves e mais inteligentes. E eu escolho o caminha esburacado, por me enganar com as belas paisagens ao longo da estrada. Mas com o tempo,
essa estrada, que era linda e esburacada, fica seca, desértica, e sem retornos. E caminhar por ela torna-se uma obrigação, e um vício, vício do sofrimento.
É a culpa que carrego. E na minha velha carroça sofrida, minhas quinquilharias sacodem e pedem descanso.
Me pego numa bifurcação. Ou seria uma encruzilhada? Nessa vida eu preciso de coragem, diria, para conseguir seguir sozinha. Não quero mais ter medo de mim mesma. Não quero mais me apaixonar pelos caras errados, e nem ser mais tão covarde à ponto de viver de platonismo.
Alguém joga uma bóia. Estou afundando.
postado por: sagaz 5:25 PM
Comments:
|
 |
 |
 |
 |
Quinta-feira, Julho 03, 2003
 |
 |
 |
 |
Hoje aprendi o significado de ribalta. Quer dizer "limiar entre realidade e fantasia". Vem do italiano e é usado em liguagem teatral. "As luzes da ribalta". Acho que tem uma música com esse título. Achei este termo tocante. Acho que é este o desafio mais sólido quando se ingressa no mundo das drogas psicodélicas. Conseguir identificar em que lado da ribalta se está.
O personagem, na peça, não está ciente de que aquilo é uma representação assistida por um público e manipulada por um diretor, e que aquele lugar é um cenário e que a cena está incrementada por jogos de luzes e tema de fundo. O que separa ele da platéia é a ribalta, onde ficam as luzes, a porta dimensional para um persongem passar de iludido a espectador, ciente de toda trama.
Um personagem eu sei quem já não sou mais. Bem, acho que não. Mas talvez até mesmo essa minha infantil 'certeza' seja parte do script, e o diretor sabe muito bem o que está fazendo. Talvez eu seja um espetador, que por ter entradas especial nesta peça tenha o direito à uma interatividade momentânea. Vai passar, espero.
E assim que terminar essa peça, eu vou embora pra casa, fazer uma pizza, sei lá. Não pode ser verdade. Eu não sou um personagem, como o resto aqui neste palco ridículo. Me recuso. Reconheço minhas limitações, mas... Tem certas coisas aqui dentro, que mesmo antes do LSD, já fluíam, me deixando mais louca ainda, me deixando confusa e perdida num jogo de impontência contra essa realidade a que me propus no dia em que, pela primeira vez, tive a coragem de admitir a minha ignorância em relação ao meu próprio auto conhecimento.
Todo mundo sempre fala, em se tratando de filosofia existencialista, sobre a pergunta fundamental: "Quem sou eu?" Bom, chega a ser clichê, para uma pessoa como eu. Mas você realmente já chegou a um ponto onde a única coisa que lhe restava era esta pergunta? Sorte sua, se disse que não. À partir do dia em que houve essa urgência, onde eu realmente entendi que eu não sou nada daquilo que eu acho que sou, houve consequentemente uma necessidade do surgimento de uma humildade que eu não tinha, e não tenho ainda, em muitos momentos. Ter a coragem e a humildade para admitir que eu sou MERDA NENHUMA, E QUE NADA DO QUE EU FIZER VAI ME TORNAR MAIS SIGNIFICANTE OU VAI ME FAZER SATISFEITA COMIGO MESMA.
Porque a verdade é simples e cruel. Podem falar muitas coisas, que sou cheia dos predicados, que sou especial, linda, "evoluída", whatever. É tudo uma bela baboseira. Eu sou tão estúpida e animalesca quanto você, que está lendo isso agora, ou quanto meu ex namorado, que eu odeio nas minhas entranhas, quanto meus pais, que me tiveram para saciar a depressão deles em perder uma filha aos três anos de idade.
Sim, é uma merda. Mas sou muito mais feliz depois de assumir minha simplicidade humana, e conseguir enxergar meus objetivos com mais humildade no coração. Agora vivo cada experiência com mais calma, me policiando para não me policiar, tento ser um pouco mais irresponsável, para ser um pouco mais jovial.
E ter as melhores vivências, na amizade, no amor, na família, no sexo, na psicodelia.
E assim minha vida é, por enquanto.
postado por: sagaz 11:48 PM
Comments:
|
 |
 |
 |
 |
|
|