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.:: Alice No País do LSD ::.
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Drogas, sexo e psytrance. Como ser careta se exite fátima bernardes, gugu, vera loyola e colunistas sociais? Não quero ser chata, mas sim ser mais careta com LSD do que com a novela das oito. Leia, interaja, viva o non sense do real world. ACESSE SEMPRE OS ARQUIVOS.
Terça-feira, Janeiro 27, 2004
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Ilusão como termo popular X Minha visão da ilusão
Quando um termo tem um uso popular, geralmente é atribuído a ele um significado dogmático e estagnado, fazendo com que a palavra ou termo em si perda completamente a "mobilidade", por assim dizer.
Achei engraçado o Robinho ver melancolia quando eu disse que sentia que tudo parecia uma ilusão. De maneira nenhuma eu uso esse termo neste sentido! Não...
O termo "ilusão" é algo empregado de maneira muito mais abrangente, na realidade. Sempre foi usado nas religiões hindu e budista para designar o plano da manifestação física e em todo papo metafísico para se referir à percepção da realidade.
Eu uso a ilusão comparada à ignorância de alguns em relação às inumeras possibilidades que existem, se considerarmos realidades paralelas e nossa imaginação e criatividade como dimensão real e existente.
Acredito piamente que tudo é sim muito, muito real mesmo. Por isso uso a expressão "hiper realidade" algumas vezes.
Mas admito as limitações atuais da minha capacidade de perceber, através dos meus sentidos, todas essas existências subjetivas.
Já achei que havia ficado louca, muitas vezes mesmo, quando captei as sutilezas. E tenho certeza que muitos de vocês já passaram por isso, ou passam, neste momento.
Não acredito que sejam flashbacks, e sim, sensações de hiper realidade. Genuínos momentos-matrix que se manifestam bem debaixo do meu nariz.
A imaginação é uma coisa tão dinâmica e necessária pra mim... Eu fico deprimida nas fazes em que ela se esvái.
A cor da minha vida está nos meus sonhos. E o amor se manifesta em todas as dimensões.
Eu sonho porque meu corpo se cansa, mas meu espírito nunca se esgota. Ele quer viver onde não existem as limitações da existência humana. Mas mesmo assim, ancora na minha carne, gruda, me dá coragem pra seguir viagem quando a noite chega.
Hoje deitarei na cama, ao lado do meu homem, encostando meu nariz em sua nuca, meus peitos e barriga nas suas costas, meu púbis na sua bunda, coxas nas coxas, pés nos pés, e os braços enlaçados por cima de suas costelas.
Lá transpiro e respiro profundamente, sonho muitos sonhos, e de manhã nós trocamos os segredos dos nossos inconsciêntes.
postado por: ..::Sagazzz::.. 12:01 AM
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Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
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Duas pessoas conversam num café. Um cara e uma mulher. Ele está escrevendo. Ela pergunta: "O que você está escrevendo?"
Ele - "Uma novela."
Ela diz denovo: "É mesmo? Qual a história?"
O cara responde, meio rispidamente, como se a resposta estivesse óbvia, como se a pergunta fosse em si uma estupidez: "Não tem história! São apenas pessoas, gestos, momentos, emoções... Em suma, as maiores histórias já contadas..."
Ao fim de sua conclusão, o cara suspira, sorri, e volta para seus garranchos no velho bloco de folhas pautadas, dando a entender que essa frase de efeito se encaixaria perfeitamente em seu manuscrito.
A mulher, meio que sem pensar muito, insiste: "Como termina?"
Ele hesita: "Eu... eu estou meio que lendo-a para depois escrever..."
Esse é um dos meus diálogos favoritos de um dos melhores filmes já feitos no cinema. Esse filme se chama Waking life, ou vida desperta, aqui.
O cinema é uma das minhas paixões primeiras. Mas infelizmente hoje ele está cada vez mais me decepcionando. Os ultimos filmes que eu vi, eu senti como se eu tivesse acabado de disperdiçar mais 2 horas da minha vida fazendo algo completamente inutil, e ainda por cima pagando 8 reais pra isso.
Eu vi o último Senhor dos Anéis e, cara, foram as piores TRÊS HORAS E QUARENTA MINUTOS da minha vida dentro da sétima arte. Eu juro, daqui pra frente esse blog é do seguinte lema: EU ODEIO FRODO BOLSEIRO. O gui já disse que assina em baixo na minha condenação, ele quis sair no meio do filme e eu, freak de cinema do caralho, insisti em ficar e ver o fim daquele maldito hobbit e aquele Gollum filho da puta.
Em fim, não vou nem perder meu tempo em comentar...
Outro que não fedeu nem cheirou foi O Último Samurai. Muitos não viram, sorte deles... É fraquíssimo, não vale a pena...
Procurem por "Waking life", esse filme acorda você.
Já teve aquela sensação de que você vai "acordar" literalmente? Às vezes eu sinto isso. Eu sinto uma vibração física mesmo, dentro da minha cabeça, como se minha consciência estivesse sendo puxada para a superfície do mar de subjetividades, e eu as estivesse quase conseguindo superar.
Dura alguns segundos, até a minha imaginação tentar advinhar o que acontece em seguida. Eu imagino meu despertar. Abrindo os olhos num lugar hiper real, astronomicamente inimaginável, olho para alguém na minha frente, que aguardava minha "volta", sorrio explodindo de surpresa e felicidade, e pronto, volto à realidade.
Acontece muito durante minhas viagens de ácido. Mas ultimamente tem acontecido quando estou careta, que ultimamente tem sido meu estado mais frequente.
Hoje eu estava no shopping com o Gui, e eu ia subir a escada rolante. Ele subiu na minha frente e eu ia logo em seguida. De repente minha visão ficou lenta e mais subjetiva, combinada com o som de uma máquina que estava no ar e desligou, e eu vi que a escada rolante diminuiu de velocidade. Eu lentamente virei minha cabeça para o lado para perguntar se a escada estava desligando, e quando alcancei os olhos do Gui as coisas voltaram a sua velocidade normal. Isso aconteceu em menos de um sgeundo, juro. E eu consegui escanear toda a situação com uma riqueza de detalhes que eu nunca havia captado antes. Parecia aquela maravilhosa cena no Animatrix no epsódio da casa mal assombrada, chamado "Programa". A menina enxergando o vôo da bomba em câmera lenta.
Essas sensações, as que me fazem sentir que isso tudo parece uma ilusão, me faz pensar na capacidade de ser abstrato, o quanto isso é evasivo. As subjetividades, os detalhes desapercebidos, o que não se consegue ser dito, é disso que se formam os sonhos, das subjetividades. E quando elas vêm à tona no nosso estado desperto, isso sim é o que eu poderia chamar de sonhar acordado.
Eu sonho muito acordada. E dormindo também. Cada dia tem uma história. Cada história pescada de um desses sonhos.
Minha história é bem subjetiva. Será que um dia alguém será capaz de contá-la?
postado por: ..::Sagazzz::.. 1:49 AM
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Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
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Ele disse que está apático hoje.
Estamos jogando Atari e eu quero ir pra algum lugar, logo.
Tenho tido alergias. Dizem que é psicologico. Talvez seja. Comecei a tê-las apenas na adolescência. Antes disso, nada tinha. Acho que ela existe só pra chamar a atenção para esses meus espirros escandalosos e molhados.
Ondem assisti A viagem de Chihiro. Meu, muito bom o filme, vale mesmo a pena. E o documentário que vem no Dvd é no mínimo cômico, pois foi feito pra TV japonesa, sendo a linguagem de mídia uma coisas totalmente diferente do que estamos acostumados.
Sonhei que o Gui tinha levado um tiro. Na noite passada eu também levei um no meu sonho. Lembro do som, porque o tiro foi bem embaixo da minha caixa craniana.
Ele está quieto, estranho, queria animá-lo, mas acho que ele prefere ficar assim, cinza...
postado por: ..::Sagazzz::.. 2:43 PM
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Segunda-feira, Janeiro 19, 2004
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Mameluca errante, adocicaada itinerante.
Mais uma vez em sampa, ainda nao me estabeleci. Escrevendo neste computador sem acentos, eu reluto em contar as pequenas historias que compoem as maiores historias ja escritas. As nossas, minha e tuas, dos detalhes desse dia a dia que eu amo tanto. os pequenos detalhes, quase desapercebidos, que meu olhos focam e nao esquecem, e que todo dia escrevo mentalmente.
Andei cavando coisas novas.
Descobri uma nova história de família. Incrivel, na verdade. Agora eu posso dizer que me sinto mais brasileira do que nunca. Eu nunca fui patriota, não amo o Brasil. Eu sou Brasil. Negra, india, italiana, portuguesa...brasileira.
Eis a história:
Minha mãe é de família extremamente simples, mas mesmo assim ela nasceu para ser a elegância legítima, ela vive a vida com beleza.
Pois então, indagando sobre seus antepassados, consegui descubrir qual a minha distancia da raça negra e india.
Ela me contou que minha bisavó morava numa fazendo em Aparecida do Norte com meu bisavô e sete filhos. Quando meu biso morreu, ela ficou pobre miserável na roça, com aqueles sete filhos e sem comida. Ela teve que mandar as filhas mulheres para uma espécie de orfanato, mas mesmo assim ela continuou acompanhando o crescimento delas.
Minha bisa era filha de indio bugre com francês. Meu biso era mulato, de pele bem negra. Ou seja, sou mais ou menos 20% negra! Estou tão orgulhosa! Ainda mais que minha bisa era bugre, o que significa que sou brasileirissima genuína!
Ela me contou também que meu tataravô matou minha tataravó colocando vidro moído na pinga dela, porque ele tinha arranjado uma outra mulher. Achei isso muito louco. Muita história enterrada nessas ramificações familiares.
Tudo isso me encanta. Eu amo minha mistura etnica.
Mudando de assunto:
Nao fui prestar vestibular porque fui aceita na outra universidade, a que eu realmente preferia.
Vai ser longe, lá no Ipiranga. Uma hora de carro todo dia. Mas acho que vai valer a pena. Não me importa o sacrificio, quero ser feliz.
Eu e o Gui e o planejmento familiar.
Tudo às mil maravilhas... Vamos viver juntos.
Tenho sonhado muito. As pessoas estão sorrindo menos. Estou me dando bem com crianças. Quero ser mamãe...
postado por: ..::Sagazzz::.. 4:39 PM
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Sábado, Janeiro 03, 2004
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Reveillon debaixo d'água!
Os planos não saíram como o esperado... Mas tudo bem...
A chuva acabou com nosso festival. O lugar onde era a festa era em cima de um pântano! Quando chegamos o sol era de rachar, mas no dia seguinte, foi tudo por água abaixo, literalmente!
Chovia tanto que nenhuma barraca, por mais vedada que fosse, aguentaria. O chão do camping virou um charco e nós estávamos para desistir de tudo.
A noite da virada não pareceu muito com reveillon. Choveu demais, a lama atolava até o joelho. O som da pista só começou à meia noite. Isso foi péssimo. Mas o incrível foi ver a turma francesa do Highlight tribe tocar trance sem usar nenhuma CDJ. Era trance com bateria, guitarra, djidjaridu... Foi extremamente orgânico. Foi impressionante. Hipinotizante. Fiquei embasbacada com aquilo, não vi nada igual, nunca. Isso sim que é live.
Infelizmente não dava pra dançar. A lama me prendeu no chão. Balancei meu corpo da cintura pra cima. Uma pena.
Desisti da pista. Desisti da festa. Resolvi pegar as cadeiras e sentar com o gui em qualquer lugar mais seco.
A chuva começou denovo.
Desta vez com toda força. Desistimos, de vez.
Aí vimos os caras do Highlight esperando a horas por uma carona pra ir embora, em vão. O carro deles estava sem gasolina, e o dia começava a amanhecer. A chuva caía forte. Coitado deles. Eu, toda tiete e um pouco "fluor" por causa da bala, resolvi chamá-los para levá-los embora. Seis caras, mais intrumentos, e eu e o Gui no carrro.
Foi engraçado. Eles são muito gente fina. A casa dos DJs do festival era uma mega mansão. Deu uma pontinha de inveja. Eles pularam na piscina. Eu estava morrendo de frio. Voltamos para a festa.
Deitamos e acordamos na tarde do dia 1. Chuva e mais chuva. Estava tudo molhando. O camping era um psy brejo e não dava nem pra cozinhar, nem pra tomar banho, nem pra nada.
Resolvemos ir embora. O clima estava tenso, mas eu e o Gui estávamos numa onda de trabalho em equipe e conseguimos arrumar tudo e levar pro carro com muita agilidade. A Daniele apareceu e meu deu um lindo presente. Dei comida e meu fogareiro pra ela. Casal corajoso, resolveram ficar na festa até o final.
Eu e meu amor voltamos. Acho que foi melhor assim. Uma pena. O Gui não conseguiu curtir o barato de um festival. Quem sabe da próxima, né?
Estamos indo segunda feira pra Ilha do Cardoso encontrar a aninha. Eu adoro aquele lugar. E adoro a companhia dela e do pai dela.
Não sei mais o que fazer nas férias. O jeito é ficar perambulando por aí.
Dia 17 vou prestar vestibular na Unip. Coragem, né?
Hoje voltei pra Campinas pra arrumar malas e pegar umas coisas. Acabei não achando a chave do meu apê e tive que pagar 35 reais pro chaveiro abrir a porta. Depois, quando eu mexia na minha mala do festival, achei a maldita chave! Que raiva!!!!!
Um beijo de ano novo, e sonhos para os próximos dias...
postado por: ..::Sagazzz::.. 8:12 PM
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