.:: Alice No País do LSD ::.

Drogas, sexo e psytrance. Como ser careta se exite fátima bernardes, gugu, vera loyola e colunistas sociais? Não quero ser chata, mas sim ser mais careta com LSD do que com a novela das oito. Leia, interaja, viva o non sense do real world. ACESSE SEMPRE OS ARQUIVOS.



Sábado, Fevereiro 28, 2004

Não o que está acontecendo comigo. Ando estranha, meio imparcial em relação às coisas da vida.
Não ando muito a fim de escrever, mas hoje quis fazer só um update.
Estou apaixonada pelo Gui, mas sem vontade de sexo.
Acho que isso o faz sofrer. Principalmente por estarmos tão bem. Eu mesma não entendo porque.
Vejo estampado no rosto dele a cara de frustração. Descobri o sexo não sendo mais tão imprescindível assim.
A minha incapacidade de não corresponder ao desejo insaciável dele. Me sinto violada e ao mesmo tempo impotente.
Eu queria poder fazer ele mais feliz. Não sei como ele lida com a situação. Hoje, mais uma vez, eu broxei. Eu não aguento ver a carinha dele, de bode.
Fiquei com medo. Tenho medo de ele me largar, desistir.
Nao aguentaria isso. Ele é meu melhor amigo.
Cada dia que passa, mas ele se torna parte de mim, e eu dele.

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Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004

Voltei do carnaval.
nada de interessante para relatar, ainda.
Agora vou na casa da Gla tomar um vinho com as Vermelhas.
Outro dia escrevo com mais calma.

postado por: ..::Sagazzz::.. 11:02 PM Comments:


Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004

Acordei ás dez e meia e não tinha nada pra fazer. O Gui tava na aula então resolvi deitar denovo e esperar por ele na cama.
Quando ele chegou ao meio dia eu estava no fim de um pesadelo. A última cena era um vulto me amparando, me tirando do pesadelo. Ele abriu a porta do quarto. Neste minuto eu tinha acabado de abrir os olhos e dei graças a Deus que ele chegou.
Convenci-o a deitar comigo, pelado.
Não quis fazer nada. Só queria o braço dele. O cheiro, a respiração.
Ele adormeceu profundamente e eu não estou mais afim de cama. Ele ainda está lá.
Minha menstruação desceu, eu não tenho absorvente. Estou com vergonha de pedir um pra mãe dele. E ele não levanta.
Pior que não dá nem pra me vestir, assim.
Ai, que fome. E ele não acorda.
O que que eu faço, meu Deus.....?

postado por: ..::Sagazzz::.. 2:41 PM Comments:


Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004

"O barato é louco. O processo é lento"
Estou parada no trânsito.
Não entendo Sampa.
Tem mais sex shop do que caixa eletrônico...
Eu a frase que abri o post num caminhão. Foi engraçado. Eu estava indo pra São Marcos, que fica no Ipiranga, lado oposto de onde eu moro. Mais de uma hora de carro. saio às seis de casa. Seis da tarde em sampa, vocês sabem o que é isso? Eu pego a av. Bandeirantes. Seis da tarde na avenida Bandeirantes, vocês sabem o que é isso?
Dá tempo de pensar sobre todo tipo de besteira. Eu fumo vários cigarros. Quando eu trago, não sei se é tabaco ou fumaça de caminhão. Meus olhos ardem e não dá pra ouvir a música que eu ponho no som do carro por causa do barulho.
O trânsito pára de segundo em segundo. Não tem muita coisa pra olhar. Hoje eu vi, no Extra que tem na Ricardo jaffet, dois out doors, um do Big e outro do Carrefour, isso porque esse Extra fica de frente para um Pão de Açúcar. Não sei o que pensar disso.
Os motoboys passam bozinando entre a primeira e a segunda faixa. Dói os ouvidos, decidi ficar na tercira faixa, com os caminhões, comendo fumaça. Não tem muita opção.
Escolhi ir ouvindo música calma. Tango ao estilo Glover Gill, Morcheeba, Amon Tobin. Deu vontade de fumar maconha. Faz mais de uma semana que eu não fumo maconha, por opção, claro. Mas acho que vou começar a ir com um baseadinho enrolado na bolsa pra fumar no trânsito e ficar viajando no som...
Estou com dor de cabeça à dois dias. Tomei vários remédios e nada. Na aula fica difícil prestar atenção com dor. Como o tempo todo. Comida alivia a dor.
Falando em aula, os últimos dois dias eu não gostei muito, mas fazer o quê? Nem tudo são flores.
Pelo menos as pessoas falam comigo. Tem algumas que eu não estou muito afim de falar, mas num ambiente social daqueles, fazer o quê?(denovo)
Tenho preguiça de ir à aula porque tenho vontade de ficar aqui com o Gui. Eu sou uma boba apaixonada.
Ontem sonhei que eu estava acertando a hora do relógio atrasado dele. Não precisa nem interpretar esse né? Isso tem que deixar de ser uma preocupação pra mim. Cada um tem seu tempo.
Agora é o meu de desligar e fazer amor...

postado por: ..::Sagazzz::.. 11:37 PM Comments:


Terça-feira, Fevereiro 17, 2004

Esta parte do waking life que segue é uma das que mais me chama a atenção pelo o que o cara fala sobre mídia, que na minha opinião é mais do verdade, é fato.

"O homem auto-destrutivo se sente completamente alienado, isoladamente sozinho. Ele é um forasteiro da comunidade. Ele pensa ' eu devo ser louco'. Mas no que ele falha em perceber é que a sociedade tem, assim como ele, um vasto interesse em perdas consideraveis, catástrofes. Essas guerras, fome, enchentes e terremotos preenchem necessidades bem definidas. O Homem quer o caos. Na verdade, precisa disso: depressão, conflitos, revoltas, assassinatos, todo esse terror. Nós somos irresistivelmente atraídos para este estado orgiástico criado à partir da morte de destruição. Está em todos nós. Nos deliciamos com isso.

É claro que a mídia tenta colocar uma cara triste nessas coisas, pintando-as como grandes tragédias humanas. Mas, nós todos sabemos que a função da mídia nunca foi a de eliminar os males do mundo, não! O trabalho deles é nos persuadir a aceitar esse males e nos fazer acostumar a viver com eles. Os poderes dos grandes querem que sejamos observadores passivos. E eles não nos deram nenhuma outra opção participatória a não ser o ocasional ato puramente simbólico do voto. Você quer o marionete da direita ou o da esquerda? Eu acho que chegou a hora de projetar nossas próprias inadequações e dissatisfações nos esquemas científico e socio-politico. Que minha própria falta de voz seja ouvida."

Neste momento, o cara despeja sobre si próprio um galão de gasolina e acende um fósforo.
Mais clichê impossível: Uma imagem vale mais do que mil palavras.

postado por: ..::Sagazzz::.. 12:32 AM Comments:


Hoje foi meu primeiro dia de aula.
Sinto agora mais do que nunca que psicologia foi a melhor escolha que eu podia ter feito na vida. Sabe aquela sensação de estar flutuando, entorpecida em seroronina, me sentindo mais em casa do que nunca?
Pois foi assim que me senti voltando da aula de neurofisiologia de hoje.
As pessoas me receberam, elas vieram até mim perguntar meu nome e conversar.
A maioria tá na segunda faculdade e é um pouco mais velha, o que é ideal pra mim nessa etapa. Se eu começar a andar com pessoas da minha idade lá eu volto a vagabundear e farrear como no primeiro ano de jornalismo.
O professor é o melhor professor que eu já vi. Uma matéria tão chata como neuro, dada por um cara como aquele, parece doce.
Fiquei entusiasmada e com vontade de estudar. As pessoas na sala participam e cooperam na aula. Ninguém ficou batendo papo mas mesmo assim o clima é de descontração.
Já fiz boas amizades e começo a pensar que vai ser bem interessante.
Hoje não estou conseguindo escrever "daquele" jeito.
Foda-se! Quero só comemorar!!!!

postado por: ..::Sagazzz::.. 12:03 AM Comments:


Domingo, Fevereiro 15, 2004

bem, o que dizer disso tudo?
Ainda não estou com forças pra raciocinar e escrever tudo bem direitinho, mas vou tentar.
Essa última semana estive muito doente mesmo, com direito a passagens no hospital e febres de 40 graus com direito a tremedeira e delirios.
Não consigo contar tudo agora, mas eu achei que tava com aids ou cancer ou algo terrível, pois eu nunca tinha ficado tão doente e tomado tanto remédio antes.
Agora eu finalmente consegui sentar e escrever algumas linhas...
O que eu poderia dizer dos comments do ultimo post?
Cara, eu dei muita risada. Achei engraçado mesmo. Primeiro porque graças à deus meu blog não é uma empresa, portanto eu não preciso me importar com o interesse do público. Segundo porque eu mesma quase nunca deixo cometários nos blogs das outras pessoas e isso não quer dizer que eu não o li. Na verdade, eu quase nunca leio o blog dos outros. Sempre dou uma passada e tal, mas meu, nada demais, né. Eu tenho minha vida e tal. Eu escrevo sobre o que eu gosto e acho importante, e meu, se alguém não curte, meu, sinto muito. Simples, né?
É assim: tem gente que gosta de falar de música, de legião urbana, de sexo, de haxixe, sei lá. Tem gente que quase nunca escreve alguma que preste, e o blog fico um tédio do tipo "querido diário". Mas cada um com as suas manias, diz aí?
Eu particularmente sou viciada em filmes. Não gosto muito das porcarias que tem sido lanças ultimamente, mas fazer o que? Se os cineastas fossem todos como Bazin, o cinema seria também um saco intelectualóide de dar dor no cérebro. Então, eu gosto de citar filmes, filmes inteligentes, especiais. Eu acho o waking life um filme dukaralho mesmo. Meu favorito, e ainda vou puxar muito saco dele por aqui. Mil beijos a todos.

postado por: ..::Sagazzz::.. 5:21 PM Comments:


Sábado, Fevereiro 07, 2004

Mais um monólogo do filme:

"A criação parece vir da imperfeição. Parece vir de uma luta ou uma frustração, e é daí que veio a linguagem. Ela veio do nosso desejo de transcender nosso isolamento e ter alguma espécie de conecção com o outro. E tinha que ser fácil, quando era só simples sobrevivência, como 'água', nós criamos um som pra isso, ou 'tigre-dentes-de-sabre logo atrás de você!', nós criamos um som pra isso também. Mas quando se torna muito interessante, eu acho, é quando nós usamos o mesmo sistema de símbolos para comunicar todas as coisas abstratas e intangíveis que estamos experimentando. O que é frustração? Ou raiva? Ou amor? Quando eu digo 'amor', o som sai da minha boca e alcança o ouvido da outra pessoa, viaja por um labirinto no cérebro, por entre as memorias de amor, ou falta de amor, e ele registra o que estou dizendo, e dizem 'sim, eu entendo', mas como eu sei que ele entendeu? Palavras são inertes, são apenas símbolos. Estão mortas. E tanto da nossa experiência é intangível. Tanto do que agente percebe não pode ser expressado, é indizível. Mesmo assim, quando nós nos comunicamos com o outro, e sentimos que nos conectamos, e pensamos que fomos compreendidos, eu acho que temos um sentimento quase de comunhão espiritual, e esse sentimento pode até ser transitório, mas eu acho que vivemos por isso."

postado por: ..::Sagazzz::.. 1:45 AM Comments:


Mais uma cena do waking life:

Um professor fala para sua classe:
"A rasão pela qual eu me recuso a aceitar o existencialismo apenas como mais uma moda, ou curiosodade histórica, é que eu acho que ele tem algo muito importante para nos oferecer para o novo século. Temo que estejamos perdendo as verdadeiras virtudes de viver a vida intensamente, no sentido de tomar responsabilidade por quem nós somos, a habilidade de fazer algo de nós mesmos e nos sentirmos bem sobre a vida. Existencialismo é muitas vezes discutido como se fosse uma filosofia do desespero, mas eu acredito que a verdade seja exatamente o oposto. Satre disse uma vez que ele nunca teve um dia de desespero na vida. Uma coisa que surge quando lemos esses caras(Satre entre outros) é tudo menos o senso de angústia pela vida, e sim um tipo verdadeiro de exuberância, de se sentir no topo da vida. É tipo 'sua vida é sua para ser criada'.
Eu li os pós-modernistas com um pouco de interesse, até admiração. Mas, mesmo quando eu li eles, eu sempre tive uma sensação estranhíssima de que algo extremamente essencial estava sendo deixado de fora. Quanto mais você fala de uma pessoa como uma construção social, ou como uma confluencia de forças, ou como fragmentada ou marginalizada, o que você faz é abrir novo mundo inteiro de novas justificativas. Quando Satre fala sobre responsabilidade, ele não está falando de algo abstrato. Ele não está falando sobre aquele tipo de self ou alma que teólogos argumentariam. É algo bem concreto; Somos você e eu conversando, tomando decisões, fazendo coisas e sofrendo as consequencias.
Pode ser verdade que existem 6 bilhões de pessoas no mundo, pra mais. Mesmo assim, tudo o que você faz, faz diferença. Faz diferença primeiro de tudo em termos materiais; faz diferença para as outras pessoas; E, tudo serve como exemplo. Em resumo, eu acho que a mensagem aqui é que nós não devemos nunca nos entregar e ver a si mesmos como vítimas de forças variadas. É sempre nossa decisão que nós somos."

postado por: ..::Sagazzz::.. 1:25 AM Comments:


Terça-feira, Fevereiro 03, 2004

Moving in, moving out...
Hoje começo minha mudança provisória.
Estou morando agora numa espécie de flat no andar térreo da casa dos pais do Gui.
É um pouco menor que meu apartamento, mas muito gracioso e moderno.
Me sinto bem acomodada e com muito mais privacidade.
Agora é oficial: Estamos definitivamente morando juntos. Um experiência nova e construtiva. Apesar disso tenho medo. Nunca morei com ninguém de verdade. Acostumei a ter minha individualidade e meus esquemas de organização particulares. Tenho medo do "mostro" que a convivência à dois pode aflorar em mim. A possibilidade de deixar de ser uma menina meiga e sensual e me tornar uma esposa ingrata e enfurecida é alta agora. Mas espero por me surpreender com uma maturidade e uma paciência que eu ainda não conheço.
Eu amo tanto o Gui que acho que mesmo parecendo impossível ser menos individualista, espero me surpreender. às vezes ajo como uma velha ranzinza. Em outras sou extremamente egoísta. Sou pentelha à respeito de organização. Esperneio quando tiram minhas coisas do lugar delas. Odeio pasta de dente sem tampa, lixo sem saquinho, louça sem lavar, garrafa de coca cheia e aberta fora da geladeira. Cinzas de cigarro pelos cantos, restos de seda pela mesa, perder o controle remoto, deixar o vídeo ligado, papel higiênico fora do lugar dele. Cama desarrumada o dia inteiro, fogão sujo, roupa fedida, furos, chão sujo, livros empilhados, perfume sem tampa, respingos no assento da privada.
E acima d etudo, toalha em cima da cama.
Parece que sou uma pentelha.
Mas essa nova vida à dois vai me ensinar que nem tudo sai como agente quer, e que cada um tem seu jeito de viver, seja num depósito de lixo ou numa casa brilhando.
Dormir com ele todos os dias vai ser o melhor. Difícil vai ser levantar da cama antes do meio dia...

postado por: ..::Sagazzz::.. 8:26 PM Comments:


Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004

Inauguro aqui uma nova série de posts onde vou contar, através de traduções dos meus trechos prediletos do Filme waking life, minha interpretação deste.
Esse é o primeiro trecho relevante no filme. Eu o vejo como a introdução do protagonista em sua "prisão" onírica, pois no fim da cena ele tem seu primeiro falso-despertar. Pode parecer não ter ligação com os outros eventos do filme, mas pra mim o que é dito lá é de profunda relevância.

" Eu acho que meu meio de transporte deveria ser uma extensãõ da minha personalidade. E isto(apontando para o para-brisa), isto é minha pequena janela para o mundo, e cada minuto é um show diferente. Agora, eu posso não entendê-los, posso até não necessariamente concordar com ele, mas te digo isso, eu aceito, e meio que vou seguindo. Eu diria que é como se você se deixasse levar. O mar não recusa nenhum rio. A idéia é de permanecer num constante estado de partida, mesmo quando você chega. Isso economiza apresentações e adeuses. A viagem não requer explicações, apenas passageiros, é aí que vocês entram...
É como se vocês viessem para este planeta com uma caixa de giz de cera. Alguns podem ter a caixa com 8 gizes, outros com 16, mas o importante é o que você faz com os gizes, as cores, que lhe são dadas. Não se preocupe em desenhar dentro das linhas, ou colorir fora delas. Eu digo pinte fora das linhas! Pinte fora da página!
Não me restrinja! Estamos nos movimendo para o oceano! Não estamos presos no continente, eu digo mesmo!"

Nisso, o cara decide deixa o caronista num lugar sugerido supostamente aleatoriamente. O carona pergunta onde é esse lugar. O cara que dirije o carro diz:

" Eu também não sei, mas é algum lugar... e vai determinar o curso do resto da sua vda..."

postado por: ..::Sagazzz::.. 4:34 AM Comments:


Retirado de um interessante texto da net em : http://www.eventos.uevora.pt/conhecimento_proibido/contributos/23_6_2003/Paola_Valpreda_-_o_fim_da_ciencia__1_.htm

Nota: Expanda sua mente procurando por Philip K Dick

"O nosso mundo é um mundo que se desfaz e a fronteira entre real e irreal, mesmo na ciência, último baluarte contra a desorientação à qual estamos condenados, já não é o que era. Apesar dos nossos medos, daqui, desta floresta de símbolos, onde nos encontramos perdidos, podemos, se calhar, encontrar uma nova e diferente saída. Estamos no mundo de  Mulholland Drive de David Lynch, onde um universo privo de consistência não tira ao criador a possibilidade de jogar com a realidade. Convém não nos esquecermos que o jogo, segundo os jogos linguísticos de Wittgenstein, implica liberdade e o seguir um conjunto de regras estabelecidas entre os jogadores. Ou, para começar por Wittgenstein e acabar com uma esperança: do que não se pode falar, deve-se sonhar. "

postado por: ..::Sagazzz::.. 3:08 AM Comments:




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