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.:: Alice No País do LSD ::.
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Drogas, sexo e psytrance. Como ser careta se exite fátima bernardes, gugu, vera loyola e colunistas sociais? Não quero ser chata, mas sim ser mais careta com LSD do que com a novela das oito. Leia, interaja, viva o non sense do real world. ACESSE SEMPRE OS ARQUIVOS.
Segunda-feira, Agosto 30, 2004
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Alguns filmes que não merecem a doação do seu precioso tempo:
Ken Park - Do mesmo cara que fez Kids. Pode até ser que quando agente era adolescente adorava o filme, mas se você tentar vê-lo denovo, vai perceber que aquilo não passou de uma jogada de marketing violenta, afinal, sexo, drogas e rock´n roll vendem facinho. Digo o mesmo de Ken Park, que de diferença do Kids tem que é beeeem mais parado, o que não se mostra problema pra mim, só que tem cenas completamente dispensáveis, pelo menos 70% do filme. Para ilustrar, menciono a cena em que um cara se enforca enquanto bate uma punheta de verdade de frente pra câmera, ou até um carinha "endedando" uma menina com a camera quase dentro a "xana" dela.
Filme pornô com pretexto de "alternativo". Aposto que a geração teen vai adorar, assim como a nossa fez com o Kids. É basicamente um filme de sexo, só que com um bando de adolescentes que mal sabem trepar...
Farenheit 9/11 - A pior merda dos ultimos tempos. Pior ainda que eu fui assistir no cinema. Fiquei puta. Afinal, fica fácil "provar seu ponto de vista" apenas com imagens feitas pela mídia e manipuladas por quem se interessa por uma tendência específica. Não entendo como o Moore ganhou a palma de ouro... não mesmo, isso me revoltou profundamente. Bom, anyway, não dá nem vontade de falar do filme, e compará-lo ao Tiros em Columbine então, nem se fale...
Essa onda anti-americana está me deixando de saco cheio. Agora é moda falar mal dos Estados Unidos. Daqui a pouco é moda falar mal de gente rica, e depois é falar da Rede globo, e agente fica assim, sem opinião própria, apenas seguindo a maré que a mídia escolhe...
postado por: ..::Sagazzz::.. 11:39 AM
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Segunda-feira, Agosto 23, 2004
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Esse texto foi retirado do site www.humornaciencia.hpg.ig.com.br
Como conquistar garotas com a ajuda do esoterismo
Por Aran
Você encontrou uma gata deliciosa, mas, para seu desespero, ela só transa se Saturno estiver em retrocesso. Em vez da tabelinha, prefere consultar o I-Ching. Acha que Paulo Coelho é um gênio da raça e não apenas acredita em duendes como conhece pessoalmente uns dois ou três. Bem, temos uma boa notícia: não é preciso se submeter à leitura de obras iniciáticas para fisgar a moça. Basta mentir. Ela não acredita em qualquer coisa? Pois vá em frente! Aqui vão algumas dicas simples de como liberar o druida que existe em você e abater as bruxinhas deste final de milênio.
O coelho corre. Pro abraço
Paulo Coelho é uma espécie de Ratinho do esoterismo: tem milhões de admiradores, mas sua contribuição ao patrimônio cultural da humanidade é muito discutível. A filosofia coelhiana pode ser resumida assim: "Deus está dentro de nós e, se você fizer o bem, tudo vai dar certo". Não é grande coisa, mas, pensando bem, para este final de milênio, até que dá pro gasto. Se a garota que você almeja for leitora do "mago", o melhor é afirmar que você também é um bruxo de grande poder, filiado à Ordem Mística Muito Hermética do Grande Tupper Ware Fechado a Vácuo (O. M. M. H. G. T. W. F. V.). Convide-a para ver a espada cerimonial da ordem, adiantando com ar de
mistério: "Ela é enorme, levemente curvada para a direita, e aumenta de tamanho quando manipulada durante os rituais". Se funcionar, escreva-nos, para que nós da redação também possamos usar o truque.
Elas são do baralho!
Jamais diga que sua especialidade é decifrar os enigmas da sorte no baralho da Playboy. É claro que ela não vai acreditar. Seja mais sutil. Diga-lhe que você vê o destino dos seres humanos num tarô cigano do século XV, e tudo mudará de figura. Ou de naipe. Impressione-a com sua cultura inútil: o Tarô, o mais famoso dos baralhos de adivinhação, foi criado na Itália do século XIV. Alguns espertalhões dizem que é egípcio. Mentira. O baralho originou-se, possivelmente, de um jogo de ilustrações para fábulas medievais que acabou ganhando vida própria sem o texto. O Tarô é composto de 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores. Os Arcanos Maiores têm figurinhas desenhadas e são bem legais; os Menores, muito chatos, nem sequer merecem nossa atenção. Como a interpretação das cartas baseia-se na livre associação de idéias, você só precisará de uma pitada de sensibilidade. Digamos, por exemplo, que, depois de dispor as cartas em círculo e pronunciar palavras cabalísticas em aramaico primitivo, você tire o Arcano 12, vulgo "O Enforcado". Simples: "Nossa, gata! Um cara tentou se matar por sua causa, mas é tão burro que amarrou a corda no pé!"
Elemental, caro Watson
Quando ela disser, com aquele sorriso encantador, que viu "um lindo duende esta manhã no jardim", só há duas respostas possíveis:
1. "Ótimo, pega ele pra gente fazer uma salada..." e
2. "Que linda a sua camisa-de-força... É Giorgio Armani?"
No entanto, sarcasmo e ironia nunca ajudaram ninguém a levar uma mulher para a cama (e eu sei do que estou falando). O que você precisa saber para encantar aquela gata de bata indiana, perfume de ervas e incenso nos bolsos é que gnomos e duendes são elementais da natureza. O gnomo é ligado ao reino mineral e o duende ao reino vegetal. Existem também uns bichos ligados aos reinos animal e agual (isso mesmo, agual...), mas isso não vem ao caso. Os elementais se manifestam fisicamente apenas para pessoas que têm muita "luz", "energia positiva" e "elevada sensibilidade" - e é exatamente o que você tem de dizer se quiser traçar a garota. Ah, sim! Caso o assunto venha à tona, duendes e gnomos se vestem à moda medieval, uma roupa que até no tamanho lembra a dos anõezinhos da Branca de Neve.
Dois mais dois nem sempre é quatro
Ela se chamava Ivete e agora se chama Hywetteh. Tudo para atrair bons fluidos. Deve ter funcionado, porque o corpinho, hmmmmm, está mais bem desenhado que o símbolo do Yin-Yang. Nesse caso, tudo o que você tem de saber sobre numerologia é que ela é a versão ocidental do cabalismo judaico. Funciona assim: se no princípio era o Verbo, então as letras possuem poder e, bem combinadas, podem atrair a sorte. Em suma, o Aurélio é o nosso Deus e o professor Pasquale o seu único profeta. Não existem dois numerólogos que concordem sobre o poder atribuído a cada letra ou palavra, portanto, pode dizer o que lhe vier à cabeça. Tipo: "A expressão 'sexo anal' tem oito letras e a mesma vibração de Hywetteh. Vira, Hywe, vira...". Só não vá mudar seu nome de Fábio Arnaldo para Fasianaldo. Seria ridículo, para dizer o mínimo.
I-Ching
O I-Ching é um oráculo chinês em forma de livro, criado, diz a lenda, pelo imperador Fu-Shi em 2852 a.C. É composto de 64 hexagramas de nomes esquisitos como Ken, Kuan, Tofu, Missoshiru, Tempurá e Chop Suey. Para consultá-lo, basta pegar três moedas e atribuir a cada uma de suas faces os valores "dois" e "três". Jogue-as para o alto seis vezes e observe o resultado. Cada jogada criará uma das seis linhas dos hexagramas do oráculo. Quando tiver todas essas linhas combinadas, você será remetido para uma das páginas do livro. As respostas do I-Ching, "I" para os íntimos, são tão confusas que o oráculo quase sempre acerta. Digamos, por exemplo, que a pergunta seja: "Será que ela vai dar pra mim?" A resposta será sempre algo um tanto nebuloso, coisas do tipo: "Tofu indica que o caminho estará aberto e o sucesso ao alcance". O homem superior, nessas situações, deve ser firme e correto e insinuar que a moça precisa preencher o vazio existencial com uma boa picanha. Não entendeu nada, Gafanhoto? É assim mesmo. O I-Ching exige prática e habilidade. Quanto mais estudo, mais incompreensível fica. Carl Gustav Jung, o Keith Richards de Sigmund Freud, passou anos estudando o oráculo, o que prova que o I-Ching é um negócio sério. Ou que Jung não era tão sério assim.
Me Tarzan, you Daime
Cuidado, você está pisando em terreno minado. A gata deliciosa pode muito bem sacar uma borduna da bolsa se você fizer ironia com o Santo Daime. Daime é o chá feito de um cipó pelos índios da Amazônia, também conhecido como ayhuasca. Pois essa gororoba anda fazendo sucesso entre os brancos. E branco, you know, é complicado, neurótico, estressado, culpado, reprimido. Não é capaz de sentir um baratinho e ficar nisso mesmo. Precisa inventar uma religião para justificar a viagem. Nasceu assim o Santo Daime. A seita saiu da selva e chegou às melhores casas das melhores famílias da nossa melhor sociedade. A executiva de tailleur que você está paquerando no restaurante talvez só se comunique em variações semânticas de uga-buga. À menor provocação, ela é bem capaz de virar bicho. Literalmente: um dos lances do daimismo é encontrar o animal-totem protetor. Se for um tatu-bola, tudo bem. Mas, se pintar uma onça-pintada, saia de perto...
Objeto de desejo voador não-identificado
Ai, ai, ai, meu caro: quer dizer que ela curte homenzinhos verdes e jura que já foi abduzida (não confundir com "abusada" ou "seduzida") por eles?! Ela acha que ArquivoX é baseado em fatos reais?! Não ligue para o hospício. Ainda. Milhões de pessoas afirmam a mesma coisa. Essa crença, a única genuinamente contemporânea, é mais comum do que sonha nossa vã filosofia. Portanto, se a gatinha lunática for gostosa, afirme, sem temer o ridículo, que somos visitados freqüentemente por zeta-reticulanos cinzas e brancos. Ambos vêm da estrela Zeta Retículi, são nanicos, têm um cabeção enorme e dois olhões pretos, embora não possuam nenhum parentesco com o Inocêncio de Oliveira. Os zeta-reticulanos brancos são gente boa. Já os cinzas não valem um dracma: mutilam animais, seqüestram seres humanos e se escondem na famigerada Área 51, no deserto americano de Nevada. Se, ao dizer tudo isso, ela duvidar da sua sinceridade, erga a mão em sinal de paz e pronuncie várias vezes "Klaatu barada nikto!" Ela vai cair de quatro. Caso ela perceba que esta é uma citação do filme O Dia em Que a Terra Parou, melhor ainda. Isto só prova quanto você é ligadão no objeto (voador) de desejo dela.
O sexo dos anjos
Um ser humano normal, como você, só recebe a visita de um anjo em três ocasiões:
1. Para avisar que, se não parar com essa história de sodomia (e gomorria),
a cidade inteira arderá no enxofre.
2. Para ordenar que você suba num morro e passe a faca no pescoço do seu
único filho.
3. Para contar que sua mulher está grávida do novo Messias. A bem da verdade, anjos nunca foram criaturas confiáveis. A começar por Lucibel, vulgo Lúcifer, espécie de Golbery de Deus que surtou, resolveu dar um golpe de estado e se deu muito mal. Apesar dessa índole duvidosa, porém, o culto aos anjos também virou cult neste fim de milênio. A questão, como sempre, é: a gatinha de olhos azuis que acende uma vela para o anjo da guarda todas as noites vale uma reza? Se a resposta for afirmativa, diga-lhe que você é íntimo de Gabriel, Samuel, Azrael, Miguel, Rafael, Manuel ou qualquer outra coisa terminada em "el" (Pastel e Sarapatel, não). Se quiser impressionar, explique-lhe que os anjos são divididos em três principados ou níveis hierárquicos. O primeiro principado é uma espécie de Forças Armadas de Deus e zela pela segurança do Céu. O segundo é composto de anjos mensageiros, que trazem recados do Senhor para os homens ("Seguinte, tu serás martirizado na próxima quarta-feira de manhã, o.k.?"). O terceiro princi pado fica na Terra mesmo, protegendo igrejas, cidades e, é claro, a sua gatinha de olhos azuis. Anjos freqüentemente se metem em assuntos terrenos. Ajudaram a tomar Antióquia, por exemplo, 900 anos atrás, durante a Primeira Cruzada. Pelo menos era o que se dizia na Idade Média, um tempo estranho.
Pisando nos astros, distraída
Astrologia é sempre um bom assunto para engatar qualquer conversa. Mesmo que você não saiba absolutamente nada do assunto, pode se sair com essa: "Desculpe, Mô; nós, piscianos do segundo decanato, não acreditamos em astrologia". (Torça para ela não perceber a ironia: pisciano acredita em qualquer coisa!) Algumas informações que podem ajudá-lo a ir ainda mais fundo: a astrologia foi desenvolvida na Babilônia e baseia-se no fato de que a Terra é o centro do Universo e 12 astros circulam ao seu redor, influenciando a vida das pessoas e a programação da TV a cabo. Não cometa a besteira de argüir que a Terra não é exatamente o centro do Universo e que os astros não circulam em torno dela. Você quer ou não quer a menina? Diante disso, tudo mais é irrelevante. Para conquistar gatas que vivem com a cabeça nas estrelas, vamos lhe ensinar um truque. Você por acaso percebeu que há sempre uma característica bacana e outra nem tanto para cada signo? Pois essa é a lógica zodiacal elementar. O resto dependerá de quão bom você é em matéria de chutes. E, mesmo se errar, não desanime. "Menina, você é tão sofisticada. Aposto que é de... deixe-me ver... Sagitário!" Há sempre o risco de ela responder: "Não, eu sou de Leão..." Respire fundo e vá em frente. "Eu sabia! Mas seu cometa lunar está em Sagitário, certo?" Essa abordagem é um tanto canalha, mas quase sempre funciona. Mesmo quando Júpiter avança pela segunda casa de Saturno, à esquerda de quem entra.
postado por: ..::Sagazzz::.. 12:02 PM
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Quarta-feira, Agosto 11, 2004
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Instruções para subir uma escada
Ninguém terá deixado de observar que freqüentemente o chão se dobra de tal
maneira que uma parte sobe em ângulo reto com o plano do chão, e logo a
parte seguinte se coloca paralela a esse plano, para dar passagem a uma nova
perpendicular, comportamento que se repete em espiral ou em linha quebrada
até alturas extremamente variáveis. Abaixando-se e pondo a mão esquerda numa
das verticais, e a direita da horizontal correspondente, fica-se na posse
momentânea de um degrau ou escalão. Cada um desses degraus, formados, como
se vê, por dois elementos, situa-se um pouco mais acima e mais adiante do
anterior, princípio que dá sentido à escada, já que qualquer outra
combinação produziria formas talvez mais bonitas ou pitorescas, mas
incapazes de transportar as pessoas do térreo ao primeiro andar.
As escadas se sobem de frente, pois de costa ou de lado tornam-se
particularmente incômodas. A atitude natural consiste em manter-se em pé, os
braços dependurados sem esforço, a cabeça erguida, embora não tanto que os
olhos deixem de ver os degraus imediatamente superiores ao que se está
pisando, a respiração lenta e regular. Para subir uma escada começa-se a
levantar aquela parte do corpo situada em baixo à direita, quase sempre em
couro ou camurça e que salvo algumas exceções cabem exatamente no degrau.
Colocando no primeiro degrau essa parte, que para simplificar chamaremos de
pé, recolhe-se a parte correspondente do lado esquerdo (também chamada pé,
mas que não se deve confundir com o pé já mencionado), e levando-a à altura
do pé que faz-se que ela continue até colocá-la no segundo degrau, com o que
neste descansará o pé, e o primeiro descansará o pé ( os primeiros degraus
são os mais difíceis, até se adquirir a coordenação necessária. A
coincidência de nomes entre o pé e o pé torna difícil a explicação. Deve-se
ter um cuidado especial em não levantar ao mesmo tempo o pé e o pé.)
Chegando dessa maneira ao segundo degrau, será suficiente repetir
alternadamente os movimentos até chegar ao fim da escada. Pode-se sair dela
com facilidade, com um ligeiro golpe de calcanhar que a fixa em seu lugar,
do qual não se moverá até o momento da descida.
Júlio Cortazar ¿ Histórias de cronópios e de famas.
postado por: ..::Sagazzz::.. 11:11 AM
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Segunda-feira, Agosto 09, 2004
Sexta-feira, Agosto 06, 2004
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Hoje eu fui na terapia contar da a minha história do surto.
A psicóloga ficou de boca aberta e abismada.
Não conseguiu falar o que ela achava.
As coisas ficaram no ar.
Ela respirava fundo.
Que vergonha... hehehe
postado por: ..::Sagazzz::.. 9:16 PM
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Terça-feira, Agosto 03, 2004
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Ok, ok... Vou tentar contar com o máximo de esforço pra lembrar direito o que aconteceu...
Isso é coisa de livro de psicopatologia, com alguns toques de lirismo e metafísica. Gostaria agora de relatar o meu, o inédito, o único... Surto Psicótico de cogumelos mexicanos...
Na sexta feira fomos para o sítio de um amigo perto de São Paulo. Fazia frio, e lá, onde é mais alto e ermo, o frio era de rachar.
Haviam pessoas naquele lugar. Pessoas que não eram convidadas. Espíritos... E eu levava um susto com eles a cada momento, vendo seu vulto negro cruzar meu campo de visão sem querer ser visto, espreitando e se deleitando com as emoções da vida alheia.
Um sítio, o campo, lugares convidativos para grandes experiências psicodélicas de auto-conhecimento e a tão aclamada expansão da mente e percepção de realidade. Eu estaria pronta pra mais uma viagem. Depois de tantas experiências psicodélicas, já não se sente mais o friozinho na barriga ao abrir um saquinho com alguns cogumelos importados que estava em nossa posse.
Para facilitar, picotei-os e joguei num copo com yogurte de morango. Desceu suave, doce. Pedacinhos direto para o meu estômago. Tudo bem, é festa agora.
Bateu, não demorou mais do que vinte minutos, o que é raro em se tratando de cogumelos. Fiquei impressionada. O grau era fortíssimo. Eu acho que nunca tinha tido uma loucura tão forte assim.
Estava tudo bem até resolvermos ir para o mato. O mato, o ameaçador organismo vivo integrado. Eu sempre me sinto meio suprimida pela mata. Eu fico assustada com todo aquele trabalho em conjunto.
Deitamos e conversamos. Eu já não entendia mais nada. Lembro de soltar um : "Nada mais faz sentido não acha?" e seguido disso uma risada desesperada e insana, aviso do que estava por vir. Olhava para aquela mata de bambus e não entendia a profundidade do que estava na minha frente. Era uma cenário, eu achava. Era plano e infinito. Me senti perdida. O Gui deve ter notado, pois ele tentava me resgatar a todo instante, com conversas mais palpáveis e lógicas. Mas eu flutuei, e não consegui me segurar no mundo real.
Havia um galhinho de planta embaixo de nós. Ele pega e fala: "olha essa planta..." Olhei, achei normal, meio plástica e tal... "Agora pega ela." Peguei. E de repente o cenário a minha volta se transformou num gigante organismo vivo meio animal meio planta, com pêlos por toda a parte, começando daquela inofensiva plantinha.
Minha cara deve ter sido a de pavor, pois na hora vi a mudança no olhar do Guilherme. "vamos sair daqui" ele disse, sem deixar transparecer muito que tinha percebido a minha situação.
Caminhamos por cima do rio, subindo até o deck da piscina. Eu não conseguia respirar. Não tenho um bom fôlego pois fumo cigarros demais. Mas o engraçado é que desde que tínhamos ido pro mato, eu não havia fumado nenhum cigarro, nem tive vontade.
Lá em cima as coisas ficaram muito estranhas. Lá estavam pessoas conversando e música alta. Eu não entendia o que as pessoas falavam. Um singelo "vamos tomar cerveja?" se transformou em "Cavalo mascando chiclete na nuvem de cocô." E nada mais seguia o rumo de realidade a que eu estava acostumada. Eu não entendia e achava bem dentro de mim que aquilo tudo era uma grande encenação, o verdadeiro teatro de insanidades da vida momentânea.
Mas fora de mim o que se via era um medo calado, que me fazia tremer um pouco e sentir a boca seca. Me encolhi sentada numa cadeira tentando me esconder das pessoas. Não queria que elas me vissem estranha daquele jeito. Então resolvi ir pra dentro da casa e deitar num pufe na sala e ficar quietinha, pra ver se eu conseguir formular algum raciocínio.
Lá dentro tinha um casal com um bebê. Um bebê de um jeito que eu nunca tinha visto. Na verdade, eu nunca convivi muito com crianças de nenhuma idade, a não ser quando era pequena. O bebê não parava quieto. Pelo o que eles falaram, o bebê está na fase de tentar andar, e que é assim mesmo, e eu não sabia.
Deitada no pufe eu observava o bebê escalar a mesinha de centro com um sorriso banguela na cara. Ele olhava pra mim, diretamente nos olhos, como fazem as crianças em geral, e eu me apavorava. Ele estava brincando comigo, me zoando, caçoando da ignorância nossa, dos adultos. Ele sim sabia aproveitar a vida. Ele se movia estranhamente, como se fosse mecânico, uma maquininha, um robô. As pessoas pareciam robôs, desde que nasciam. Movimentos ensaiados, textos na ponta da língua. Robôs atores...
Nessa trip toda de pensar essas coisas olhando aquela criaturinha inquieta, e vi a realidade se desconstruir na minha cara. Seco, sem me preparar para o que eu mais temia. A total falta de referências para o que estava acontecendo me chocou. Meu ego se dissoluiu no meio da confusão do meu inconsciente e eu não tinha mais rastro de quem eu era ou o que eu achava de tudo aquilo...Sem julgamentos... Sem a mínima proteção contra o mundo exterior, eu me senti ameaçada da maneira mais real que se possa sentir, e apavorada, com o medo de não existir mais o que era real no meu momento.
Aquilo tudo me assustou e eu resolvi voltar rapidinho, correndo mesmo, para o gui. Ele estava me esperando e deitamos no deck ao ar livre. Eu tinha muito sono e ele me mostrou uma bromélia solitária num galho de árvore. Eu só enxerguei a bromélia, mas a árvore desapareceu no azul cinzento do céu. Eu olhava pra ele e dizia que não estava bem. Ele se irritou um pouco porque pra ele estava tudo ótimo, e é difícil de entender quando agente tá bem. Ele me persuadiu a levantar. Eu queria água o tempo todo.
Tentei socializar, sem muito sucesso. Não entendia o que as pessoas falavam e faziam. Nada fazia sentido. Meu estômago estava estranho, eu achava. Queria vomitar. No banheiro, durante 15 minutos eu tentei vomitar, sentindo o vômito subir e sair pela minha boca, mas eu olhava e não tinha nada na água do vaso gelado. Eu olhava para as paredes e as tocava, tentando confirmar a informação recebida pelos meus olhos e nada. O meu toque não correspondia aos meus outros sentidos. Isso fazia com que eu tivesse dificuldades para me equilibrar em pé, e eu chegava a achar que pudesse estar até de ponta cabeça. Depois de muito esforço pus pra fora um monte de yogurte e com pedacinhos do que, se tivesse ficado no meu estômago, teria me enlouquecido mais e mais.
O gui vai até o banheiro certificar-se de que eu estou bem. Quando abre a porta estou com a cara enfiada no vaso, no meio do ato. Ele sai se desculpando e eu confiro mais uma vez as paredes antes de me levantar e lavar o rosto. Não adiantou, continuava perdida.
Saio ao encontro do Gui, com cara de apavorado, perguntando se estou bem.
Sentei-me no colo dele e com olhos de gatinho assustado eu digo que não está nada bem. Eu não estava conseguindo entender nada, totalmente perdida, desolada. Ele não sabe como agir e fica nervoso. Quase brigamos, mas não tenho condições de brigar, eu não consigo nem falar direito.
Subimos e ficamos descansando no sofá quando eu começo a voltar lentamente ao "real" e logicamente, avalio todas as minhas emoções e começamos a conversar...
Depois disso estava tudo ótimo, e quando passou o efeito eu me sentia como se tivesse acabado de acordar.
Minhas resoluções do caso foram as seguintes:
Num questionamento metafórico sobre a minha viagem eu cheguei a conclusão que:
Essa história de viver o Momento, o agora, o não-tempo, blábláblá´... é exatamente isso, é a perda de referências temporais e particulares. Quando isso aconteceu comigo naquela hora, o Momento passou a ter infinitas possibilidades de continuidade, ou de não continuidade, e de lá eu era um caderninho em branco, eu podia desenhar meu rumo como escolhesse, como eu quisesse. E na verdade é assim pra todo mundo. Todo mundo escolhendo possibilidade atrás da outra, e a relação acontece quando coincide de escolhas de pessoas diferentes serem as mesmas, e então...pá, o encontro de realidades, tornando a realidade comum à mais de uma pessoa, e a opinião da maioria prevalece. Portanto, quando um não quer dois não fazem. Interessante né? Isso quer dizer que pode ser que tudo que rola, de bom e de ruim, são escolhas, assim de uma maneira bem mais abstrata do sentido de escolha, claro.
Outra questão levantada por causa do bebê foi a de que nascer deve ser apavorante, já que você nasce sem referências sobre a "realidade" que você escolheu pra dividir com seus genitores, à princípio. O medo, o pavor que eu senti, pode ser uma revivência do meu último nascimento, o pavor de ser desprotegido. Mas aí tinha o Gui, que foi mais ou menos como um pai no sentido de me apoiar na referencia que me era tão particular.
Já na minha conclusão médica, eu diria que eu tive realmente um surto psicótico durante a ação do cogumelo, e me preocupou tanto que durante a vigem, por mais out que eu estivesse, eu pensava várias vezes que se eu não melhorasse, que o Gui ia ter que ligar pra minha terapeuta e me levar pro hospital tomar anti-psicóticos. Mas eu li em diversos estudos, pró e contra psicotomimiméticos, que um dos efeitos do LSD e outros similares é o surto psicótico, podendo ou não voltar. Isso explica algumas cenas que já presenciei de surtados em festas psy, do tipo aquele que comeu um carvão em brasa, na minha frente.
Outra coisa interessante foi que eu não fumei durante todo esse processo, o que indica que sem a precedência de um passado traumático, eu não sou viciada em cigarros.
Essa viagem toda remete àquela que eu tive com gota a meses atrás. Cheguei a relatar aqui no blog, se quiser acesse esse link, dia 23 de março. Interligando aquela viagem com essa, eu diria que aquela foi um princípio dessa, pois naquela eu vi a realidade se formar a partir de que eu já tinha de referências, e foi a primeira vez que concebi a idéia de que ser referências seríamos uma folha em branco, e isso já naquele primeiro instante me apavorou.
Os sintomas que eu senti foram:
-paranóia
-Não correspondência dos sentidos como conjunto
-Medo
-Insegurança
-visão distorcida e alucinações auditivas e tácteis
-Falta de memória
-Falta de ligação ou identificação com a realidade
-Dificuldade em processar raciocínio lógico.
Foi a melhor experiência com psicoativos que eu já tive. No momento em que eu vivi aquilo nem cheguei a pensar em morte, porque pra mim nada daquilo era mais real.
Se acontecer uma próxima vez, estarei mais preparada. Não que eu queira que aconteça.
postado por: ..::Sagazzz::.. 6:34 PM
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