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.:: Alice No País do LSD ::.
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Drogas, sexo e psytrance. Como ser careta se exite fátima bernardes, gugu, vera loyola e colunistas sociais? Não quero ser chata, mas sim ser mais careta com LSD do que com a novela das oito. Leia, interaja, viva o non sense do real world. ACESSE SEMPRE OS ARQUIVOS.
Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005
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E na última viagem de LSD...
Senti um pesar em perceber que já não pertenço mais ao movimento trance...
Olhei de fora, e não gostei do que vi.
Olhei de dentro e quis sair fora. Aquelas pessoas, aquele lugar. Eu não pertenço.
Fiquei mais à vontade pelos cantos, num sombra, a conversar. A música ainda me conquista, mas é só.
As pessoas não fazem mais muita questão de me abraçar, com raras exceções. Me vi entre o passado e o presente. Senti falta de não gostar mais de tudo aquilo. Daquelas pessoas, daquele lugar.
Pensei em muitas coisas, pensei na emoção que me move pra frente. Angústia. Necessidade de saber a origem da existência. Quando eu chego nesse âmago, dentro de mim fica um vazio, gelado. E lá eu fico, paralisada, sem ter mais o que pensar. Meu fim é a pergunta inicial. Quem sou eu? O que fazemos aqui?
E esse vazio, eu pensei, é a chave de tudo. É o nosso prêmio por sermos seres humanos. Ele é a única coisa que nos difere do resto das espécies. Ele é o nosso talento especial, responsável por todas as invenções e artes que somos capazes de produzir.
O engraçado é que, por tendência natural, ou cultural, nós preenchemos os espaços vazios com qualquer coisa. Eu acho que daí que vem toda a ladainha social. Todas as regras tolas que agente não sabe de onde vem, e a moral acaba se perdendo em coisas que na verdade não servem pra nada, só pra preencher esse vazio.
O que as pessoas não exercem é justamente o cultivo desse vazio angustiante. Ver a beleza da melancolia criativa, mergulhar nesse mundo que não tem nada. Ele é a nossa folha em branco, e nela as possibilidades são inúmeras.
É uma idéia meio vaga, e diferente do que se está acostumado. Pensando nesse jeito, não existe estado ideal de existência, porque o vazio é tão dinâmico e individual que cada um dá o tom que quer a partir desse conceito.
Infelizmente eu tenho raras oportunidades de explorar esse mundo. Quando vem essa onda de possibilidades eu simplesmente fico com medo. A objetividade tão cultivada na nossa cultura perde seu valor, e lá, pode ter certeza, é um lugar solitário...
postado por: ..::Sagazzz::.. 4:08 PM
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Sábado, Fevereiro 19, 2005
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Eu não consigo falar o que eu tenho pra falar. Eu sempre tenho coisas pra falar, mas quando sai, sai na hora errada pra pessoa errada.
Eu tenho tanta coisa pra falar que a minha cabeça passa o dia inteiro ensaiando o que eu falaria.
Eu tenho tanta coisa pra falar que o teclado do computador não dá conta.
Eu tenho coisas pra falar, mas elas entalam na minha garganta e meus olhos não seguram e começo a chorar.
Eu tenho uma coleira invisível presa no meu pescoço, de tanta coisa que eu tenho pra falar.
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Sair de casa começou a ficar difícil, sair da cama mais ainda. É tanta coisa pra falar que meu peito pesa e eu perco a minha força de tanto esforço que eu faço pra não falar.
Eu fiz aula de yoga e depois fiquei deitada no chão da sala vazia olhando as árvores da praça. Elas balaçavam no fundo de concreto que os prédios formavam e acabai dormindo de olhos abertos. Acordei de um sonho com o verde das árvores nos olhos e uma buzina de caminhão que passava na rua lá em baixo. Chorei um pouquinho.
Assisti a um filme que desbancou o Matrix: eXistenZ, do Cronemberg.
Eu amo o Gui todo dia, mas cada dia sou mais namorada dele do que mulher.
Meu futuro se perdeu nas frustações de sonhos que acabaram de morrer. O cadáver já começou a feder e eu reluto em entenrrá-lo, ou chorar pela morte dele.
Eu quero ser mãe, ter filhos, mas não agora, não com o Gui de agora.
Talvez amanhã. Ele sempre deixa tudo pra amanhã...
postado por: ..::Sagazzz::.. 12:31 AM
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Terça-feira, Fevereiro 15, 2005
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Da balada para o divã (saiu no e-music)
O paciente chega ao consultório de seu psicólogo. Durante a seção de terapia, recebe uma cápsula de MDMA (3,4-metilenodioximetanfetamina), o princípio ativo contido no ecstasy, droga recreativa freqüentemente associada às raves e ao mundo clubber. Cena surreal? Não para um grupo de 20 pacientes em tratamento de transtorno de estresse pós-traumático. Liderado por Rick Doblin, fundador do Maps (sigla em inglês para Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos), o estudo é aplicado a voluntários que sofreram situações envolvendo abuso sexual ou físico, que nunca tinham experimentado ecstasy e que já haviam passado por outros tipos de tratamento sem sucesso. ¿Quando um paciente tem um trauma, ele fica amedrontado. O MDMA ajuda a liberar as emoções, ajuda as pessoas a aceitarem a si mesmas e sentirem-se mais tranqüilas e sem medo¿, explicou Doblin a Galileu.
Dos 20 voluntários, 12 irão receber MDMA e os outros 8 irão ingerir placebo, ou seja, uma cápsula que não contém nenhuma substância medicinal (pode estar recheada de açúcar, por exemplo), mas que pode influenciar psicologicamente no resultado final. Em apenas duas das seções o paciente recebe uma cápsula contendo 125 miligramas de MDMA. Nas outras 15 consultas, o voluntário passa por exames médicos e é submetido a terapia tradicional, sem o uso de nenhum tipo de medicamento. Os voluntários são acompanhados por uma comissão de monitoramento de segurança, formada por psicólogos e médicos, que por enquanto não detectou nenhum efeito colateral ou reação preocupante. Dois meses após a última seção, eles serão examinados novamente. Cinco pacientes já concluíram o tratamento, e Doblin acredita que os resultados serão promissores. Esse é somente um exemplo de uma droga recreativa estudada para fins terapêuticos. Outras substâncias como a psilocibina (encontrada em algumas espécies de cogumelos alucinógenos) e a mescalina (princípio ativo do cacto peiote) aguçam o interesse dos cientistas, que tentam desvendar seus presumidos poderes terapêuticos. Sem falar da maconha, já há alguns anos usada para combater os sintomas do câncer, dores em doenças como artrite e esclerose múltipla e até para tratar o glaucoma.
Rick Doblin começou a estudar a MDMA em 1984. Suas pesquisas foram dificultadas em 1985, quando o ecstasy foi proibido nos Estados Unidos. Foi só em setembro do ano passado que ele conseguiu a aprovação final do governo para colocar em prática seu teste polêmico. O próximo passo de Doblin é conseguir aprovação para uma nova pesquisa sobre a aplicação da MDMA em pacientes com câncer. O objetivo é ajudar a diminuir a ansiedade em doentes terminais. ¿Conheci um homem que estava morrendo por causa de um câncer com apenas 36 anos. Ele estava tão dopado pelos remédios que parecia já estar morto. Uma única cápsula de MDMA foi o suficiente para que ele acordasse e pudesse passar seus últimos seis dias de vida em companhia da namorada, relembrando os bons momentos de sua vida¿, conta Doblin. É uma história comovente, mas nem por isso o trabalho de Doblin deixa de ser duramente criticado. É notório na comunidade científica a rivalidade entre ele e o colega George Ricaurte, da Universidade de Baltimore. Já foi comprovado que altas doses de MDMA podem baixar o nível de serotonina em animais e destruir muitos neurônios. A serotonina está associada a mudanças de humor e afetividade, por isso a maioria das drogas antidepressivas produzem um aumento na produção dessa substância. Se a neurodegeneração acontece também nos humanos, isso ainda não foi verificado cientificamente com segurança. Não obstante, Ricaurte acredita no potencial destrutivo da droga. Uma de suas pesquisas consistiu em analisar a produção de serotonina no fluido cérebro-espinhal de usuários de ecstasy, concluindo que havia uma diminuição de 24% no nível do metabólito, produto da serotonina. O que não significa necessariamente que a queda seja permanente ou que foi realmente causada pela MDMA.
Balada x consultório
Questionado sobre a segurança de sua pesquisa, Doblin explica que existem diferenças entre a droga ingerida no consultório e a consumida sem acompanhamento médico. ¿Em uma festa ou rave, as pessoas estão dançando e com o corpo quente (o ecstasy provoca hipertermia, ou seja, aumento da temperatura corporal). Além disso, nem todo o ecstasy usado por aí é pura MDMA, ele pode estar misturado com outras substâncias¿, exemplifica Doblin. O médico alerta ainda para o fato de que cientistas já demonstraram que se uma pessoa consome uma quantidade de em média 50 tabletes de ecstasy (contendo cerca de 120 mg de MDMA cada) durante a vida certamente terá sua memória afetada, mas que seus pacientes tomam doses muito menores durante todo o tratamento (500 mg de MDMA no total).
Origem farmacêutica
Ironicamente a MDMA, que é um derivado anfetamínico, foi sintetizado e patenteado em 1914 pela empresa farmacêutica alemã Merck com o propósito de desenvolver um medicamento moderador de apetite. Os estudos foram abandonados até a década de 60, quando a MDMA voltou a chamar a atenção graças ao químico e farmacêutico americano Alexander Shulgin, que passou a exaltar os efeitos da droga, em especial a sua capacidade de remover defesas psicológicas.
Segundo mostra um estudo realizado pelos psicólogos Murilo Battistini e Ana Regina Noto, a farmacêutica Solange Nappo e o médico Elisaldo Carlini, a MDMA apresenta uma mescla atípica de efeitos. Além de promover bem-estar, a droga apresenta alterações na percepção da realidade, propriedades estimulantes, como euforia, agitação e desejo de se comunicar. Entre os efeitos adversos, o ecstasy diminui o apetite, promove taquicardia e ranger de dentes, entre complicações mais graves como hipertermia fulminante, problemas hepáticos, síndrome do pânico, depressão e perdas cognitivas. Essa diversidade de efeitos é decorrente de um complexo mecanismo de ação da MDMA no cérebro e medula espinhal, segundo os autores da pesquisa.
Falta de informações
O psiquiatra Charles Grob, da Universidade da Califórnia, publicou em 1996 um teste de segurança da MDMA com 19 voluntários. Desses, dois desenvolveram pressão alta. ¿Eu acredito que para indivíduos vulneráveis há risco envolvendo o sistema cardiovascular¿, afirma Grob. O médico também analisou alguns casos de morte que aparentemente foram causados por arritmias cardíacas provocadas pela droga. ¿Creio que existem preocupações, mas também acredito que a MDMA deva ser investigada por seu potencial psiquiátrico, especialmente em pacientes que não responderam bem a outros tipos de terapias¿, justifica.
Outra droga que ainda precisa ser muito estudada é a maconha. Recentemente a Suprema Corte norte-americana questionou o abuso por parte dos pacientes que usam a erva como remédio. O debate pode até levar a uma proibição do consumo da droga. Os pacientes de doenças como câncer protestam, alegando que, para eles, nenhum outro medicamento funcionou tão bem quanto a cânabis.
Em contrapartida, um estudo pioneiro sobre a segurança do uso médico da maconha em pacientes com dores crônicas foi lançado no mês passado no Canadá pela Universidade McGill. A pesquisa envolve 1.400 pacientes em tratamento de lesões na medula espinhal, esclerose múltipla e artrite, sendo que 350 já usam a maconha para aliviar suas dores. Os cientistas pretendem verificar se a maconha afeta os rins, fígado, coração, pulmão e níveis de hormônio, e ainda farão testes cognitivos.
Não dá para se posicionar contra pesquisas envolvendo drogas recreativas aplicadas em tratamentos médicos¿, acredita o psiquiatra Dartiu Xavier. ¿Ainda faltam muitos estudos, mas caso tratamentos convencionais não funcionem em um determinado paciente, drogas como maconha e ecstasy podem eventualmente ser uma alternativa¿, conclui.
postado por: ..::Sagazzz::.. 2:09 PM
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Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005
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Quando eu vou dormir, sinto medo.
Antes de cair em sono profundo, por alguns momentos, eu entro e saio de uma dimensão bizarra, a qual eu preferiria não conhecer.
É exatamente quando meu corpo relaxa, mas a mente continua consciente.Primeiro com uma quebra de barreiras.Os limites que me separam do mundo se dissolúem numa subjetividade radical, essa massa simbólica que constitue esse lugar. Por alguns segundos (será? lá não tem tempo...) eu fico nesse caos ideal como um feto comprimido na passagem do canal vaginal na hora do parto. É horrível todas as vezes e eu sempre quero que aquilo termine logo. Antes de finalmente eu recuperar consciência e abrir os olhos, um último suspiro invade somente a alma, suspiro último que parece a mim como o primeiro em muitos anos. Percebo todas as vezes que esse suspiro não é executado pelo meu corpo propriamente dito, mas ele é uma lembrança corporal da minha tramática primeira respirada, uma estrada de ar estranho, insustentado, e que não dispara meu coração.
Acho que estou nascendo denovo.
postado por: ..::Sagazzz::.. 1:09 PM
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