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.:: Alice No País do LSD ::.
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Drogas, sexo e psytrance. Como ser careta se exite fátima bernardes, gugu, vera loyola e colunistas sociais? Não quero ser chata, mas sim ser mais careta com LSD do que com a novela das oito. Leia, interaja, viva o non sense do real world. ACESSE SEMPRE OS ARQUIVOS.
Quarta-feira, Março 30, 2005
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Cheiros à partes...
Quando se dirige em São Paulo, cheiros é o quenão faltam. Você sente cheiro podre do rio Pinheiros, cheiro de fumaça de caminhão, cheiro de lixo e de cocô de cachorro. Mas ontem eu tive uma experiência olfativa diferente. Na Av. Ricardo Jaffet nunca tem grandes cheiros, mas quando eu voltada da facu no começo da noite um cheiro me arrebatou e foi embora tão rápido que nem pude saber de onde veio. Um cheiro que trouxe lembranças de anos em que eu nem imaginava o que eu seria hoje.
O cheiro de guache é um característico. Não sei se vocês ainda lembram, mas eu sim, pois adorava aquele cheiro, ficava cheirando os potinhos assim que eles eram abertos, como se fossem um vinho muito nobre. Adorava a textura e me recusava a usar pincel: guache eu pintava com a mão, com os dedos, e consequentemente, pintava minha cara e as minhas roupas de uma maneira irresistível. Guache no rosto, quando seca, racha e vira pó. Pois eu passava e adorava esperar secar e depois ficar dando sorrisos forçados, contraindo a cara, pra sentir minha pele repuxar.
Aquele cheiro de guache, que durou segundos, me fez lembrar de anos da minha infância, e naquele tempo, os anos eram extremamente longos, e eu, infelizmente, não via a hora de crescer.
Desde os cinco anos eu freqüentei uma espécie de colônia de férias para crianças, em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, era um acampamento chamado Acampamento Fazenda Flamboiã. Frenquentei esse lugar dos cinco aos treze, e pra mim, era um paraíso, longe dos pais, em meio à paisagem rural, cheio de outras crianças. Pros meus pais era um lugar onde eles deixavam os filhos para poderem viajar pra Europa ou outro lugar bem longe, sem precisarem se preocupar. Eu gostava tanto do Acampamento, que deixei de viajar para lugares bem exóticos só para passar duas semanas lá.
O lance com o guache foi com uma lembrança muito específica. Lá pelo segundo dia de temporada, tradicionalmente tinhamos a brincadeira chamada Forte-Apache. Não sei se já brincaram disso, mas eu adorava, mesmo nunca ganhando nada, nunca. A brincadeira é muito complexa e eu nem lembro de todas as regras, mas o que eu gostava era que agente ganhava marcas no rosto feitas com tinta guache, uma marca de cada cor, cada marca feita por um monitor diferente, que nós tínhamos de encontrar escondidos pelos cantos da fazenda.
Eu lembro que quando eu era bem criancinha mesmo, nas primeiras vezes que eu fui no Acampamento, eu desistia de brincar e ficava escondida em algum mato junto com algum monitor cantando músicas e sei lá mais o que. Pelo menos dos monitores eu recebia alguma atenção rasoável, porque eu, em toda minha infância e adolescência nunca fui positivamente popular. Quando criança eu não era loirinha de olhos azuis, estereótipo valorizadíssimo na minha época. E quando adolescente, eu não tive um corpo feminino precocemente formado (peito e bunda), e nem tinha aura de purinha, outra coisa valorizadíssima, pelo menos na minha cidade.
É engraçado, eu lembrei de tudo isso num pacote só.
O guache, forte apache, o menosprezo que as pessoas tinham por mim. Quando eu era criança lá no acampamento, olhava as meninas mais velhas, 13, 14 anos. Eu achava que elas já era super adultas e tão peitudas, e eu ali, sempre com umas roupas esquisitas e sempre pirralha.
Cara, eu tive que passar por umas coisas tão estúpidas... Tudo porque no interior os valores são outros. Enquanto eu morei no interior eu fui totalmente infeliz. Tanto que hoje se eu tenho 4 amigas de verdade da minha cidade natal, é muito.
Hoje eu vejo as meninas que eram "louvadas" pelos meninos e os pais de todos nós. Elas casaram com o primeiro namorado que tiveram, na adolescência, e o casamento vai muito mal. Elas estão gordas e bregas, e ainda fazem exatamente as mesmas coisas que faziam antes, com as mesmas pessoas, por falta de opção.
Depois que eu saí de lá, experimentei diversas vezes e de todas as maneiras possíveis o gostinho do sucesso, e do insucesso.
Mas como os valores mudam... Cada dia é a vez de alguém.
Agora, a única atenção que eu recebo é virtual, quando eu abro meu blog e vejo 9, 10 comentários num posto. Acho que quando agente cresce, de uma maneira ou de outra, agente quer é que os grupos sociais que so fodam, e deixar as hipocrisias de lado.
postado por: ..::Sagazzz::.. 11:37 AM
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Segunda-feira, Março 28, 2005
Quarta-feira, Março 23, 2005
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Estou muito preocupada com vocês leitores desse blog, tô mesmo.
Eu particularmente não leio blogs por aí. A não ser de vez em quando o blog do Incensen ou o da Dani Andrade. Se tem uma coisa que eu não curto é conselhos nos comments.
Estou muito preocupada com quem lê esse blog, sabe?
Muuuuuito mesmo...
Ah by the way, meu psiquiatra receitou Zetron, conhece, Incensens?
postado por: ..::Sagazzz::.. 12:01 PM
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Sábado, Março 19, 2005
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Descobri meus pensamentos na boca de outros teóricos.
É uma sensação estranha essa.
Parece um prelúdio do meu inconsciente das coisas que estão por vir. A algumas semanas atrás eu escrevi uma teoria aqui sobre o vazio interior, por sinal muito mal interpretada pelos que comentaram o post, só pra variar.
Pois bem, estou fazendo um curso de psicanálise Lacaniana, que na verdade eu não to curtindo muito realmente, não pelo assunto, mas pelas professoras, mas eu ainda encontro um grupo de Lacan que satisfaça minhas necessidades intelectuais.
Eu ainda estou nos primeiros contatos com a teoria, mas algo meu fascinou.
Lacan estrutura a psique de uma maneira muito peculiar, e ele resignifica um monte de termos que no senso comum querem dizer coisas totalmente diferentes. Ele diz que no inconsciente reside o sujeito, que é uma massa insubstancial vazia. O confronto com ela se dá no não-pensamento. Nesse confronto é que nos tornamos sujeitos desejantes.
É exatamente disso que eu falava quando discorri sobre o vazio. Eu compararia aquele vazio que eu instituí com o sujeito do inconsciente. Tornar-se um sujeito desejante é o que eu coloquei como sendo a tendência natural que se tem de tentar preencher esse vazio. Vazio este que na minha opinião deve ser contemplado de vez em quando, em vez de se ficar tentando entupir de preenchimento com coisas que na verdade só "alargam" esse espaço de criação.
Vejo as minhas teorias na boca de outros pensadores. Vendo dessa maneira, reconheço meu verdadeiro potencial no momento. Acho que um dia serei capaz de produzir algum conhecimento válido. Trazer da banalidade uma teoria que modifique o modo de pensar de algumas pessoas.
Prentensão? Magina...
postado por: ..::Sagazzz::.. 8:48 PM
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Sexta-feira, Março 18, 2005
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Aqui é a minha casa mal assombrada.
Escrevo nesta penumbra pra conversar com meus fantasmas. A porta fica aberta pro demônio entrar. E meu me deleito com meu sofrimento e felicidade.
A depressão é uma coisa estranha. Tem dias que eu acredito que estou bem. E arrisco meus sorrisos e algumas piadinhas triviais.
A normalidade banalizou meus pensamentos, mas ao mesmo tempo, é um gozo criativo sem fim.
Agora estou estudando Lacan. Faço um curso dois sábados por mês com duas psicanalistas que, na minha opinião, não estão habilitadas. Infelizmente a linguagem acadêmica tomou conta de mim, e os porquês e os de onde incendeiam qualquer discurso, isto quando eu me presto a falar.
Um cara me disse no messenger que eu sou muito séria.
Eu não acho. Pessoalmente eu não sou, não sempre. Acho que não estou afim de brincadeira. Não hoje, não agora. Quem sabe amanhã.
Eu não posto as minhas idéias aqui pra receber conselho. Admito que sinto um pouco de raiva/tédio quando meus postos resultam em inúmeras mensagens dizendo o que eu tenho que fazer da vida.
Eu pago 60 reais a sessão de terapia, uma vez por semana. É a fonte dos conselhos. Habilitada e técnica. Me satisfaz.
Hoje eu vou no psiquiatra. Acho que tá na hora do prozac. Tô cansada de não querer fazer nada.
postado por: ..::Sagazzz::.. 11:18 AM
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Quinta-feira, Março 03, 2005
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Olhar para o passado, viver o presente, e seguir em direção ao futuro.
Essa é a atitude esperada de uma pessoa em situação de "normalidade". A pessoa em estado de normalidade reage afetivamente com equilíbrio às coisas, faz seus "deveres de casa" normalmente e cumpre suas obrigações com um certo prazer de planejamento para o futuro.
Esta é a minha situação: Tem dias que tudo vai bem, no outro eu não quero falar com ninguém, principalemente pessoas que me causam algum tipo de reação emocional. Tenho passado um tempo longamente anormal pra mim sem guardar as roupas jogadas no quarto. Chega na hora da faculdade, meu corpo me sabota e inventa que está na hora de dormir. Faltei tantas vezes que as pessoas da facu achavam que eu tinha trancado.
Chega a noite e eu fico com medo de dormir. Toda noite é um morrer. Eu deito, fecho os olhos, e penso que vou morrer. A sensação é de terror. Às vezes parece que estou ficando louca antes de dormir. Pior ainda são os sonhos. Eu tenho sonhos em camadas agora. Sonho em dimensões psíquicas e corporais ao mesmo tempo. Eu tenho cinco, seis falsos-despertares dentro do mesmo sonho. Acordo cansada, não consigo levantar. Mas faço um esforço e levanto, finalmente. Às dez da manhã.
Minha depressão vem da minha relutância em seguir em frente. Não fico chorando o dia inteiro nem nada. Não estou "mal" daquele jeito que as pessoas conhecem. É mais um lance de retroação. Olho o meu passado com nostalgia, não consigo sair dele. Revivo os momentos presentes com o pesar do passado e sem perspectiva de futuro, por enquanto. Mas eu sei, agora é a melhor hora. Já aconteceu antes, todo esse caminho não me é novidade.
postado por: ..::Sagazzz::.. 11:32 AM
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