Alguns ainda reclamam da falta da psicodelia em minha vida.
Vocês me vêem reclamando agora?
Hehehe.
Vou te falar, é sério, mas a minha vida é muito psicodélica, sei lá, pelo menos é o que acho. Papo de careta.
O lance do momento é a psicodelia onírica.
Nossa, quando eu sonho... quando eu sonho eu acho que é a melhor trip que eu poderia ter na vida. Infinitas possibilidades, e esse é o grande barato da psicodelia do ácido, é o que eu mais aprecio nele.
O engraçado é que mesmo nessa loucura do meu onirismo, eu ainda continuo fazendo basicamente as mesmas coisas, só que em ordem desordenada (essa é boa!), e com cores mais "ousadas", eu diria.
Alguns sonhos parecem tão reais que eu fico com a sensação de que aquilo que eu sonhei realmente aconteceu o resto do dia, por mais bizarros que eles sejam.
Eu lembro que teve uma época, faz tempo, que eu tinha sonhos eróticos muito bizarros, e direto acordava no ápice do sonho, se é que vocês me entendem (rs).
Muitas vezes meus sonhos são como insights colossais, e disso eu posso elocubrar à vontade; minha terapeuta se delicia nos meus cenários decorrentes. O que há com eles? Qual o grande mistério pessoal que faz com que eu sonhe com os mesmos lugares, quase sempre? Meu Deus, minhas grandes questões estão todas instauradas nesses mesmos locais, nos meus sonhos:
-Minha casa em Pinda, meu condomínio em Pinda - A casa e o condomínio não necessariamente aparecem sempre juntas nos meus sonhos, mas o jeito da luz do sol (de manhã no inverno, fim de tarde no verão) sempre determina o teor do conteúdo onírico;
-Ubatuba - a cidade e as praias que eu sonho em Ubatuba não existem de verdade, mas é sempre a mesma cidade, totalmente diferente da Ubatuba real;
-O acampamento - Sempre fim de tarde ou à noite, eu fui pro acampamento muitas vezes na infancia, e sempre era uma experiência maluca e deliciosa (mas sofredora, sempre fui meio "excluída");
-Festa Rave - Faz tempo que não sonho com festa rave, mas da ultima vez sonhei que comi minha própria língua, e num outro sonho quebrei todos meus dentes me "mordendo" (me mordo muito com MDMA, por isso parei de tomar faz tempo).
O que essas coisas querem dizer?
Meus sonhos sempre querem dizer. E querem tanto e com tanta força que não páro de pensar sobre eles, quando consigo lembrar de tudo. Acontece que tudo tem significado. Não daquele jeito que os dicionários de sonhos que você compra na banca têm, mas um significado muito pessoal, muito simbolicamente intrincado. O interessante é que na terapia analisar sonhos é sempre a parte mais divertida, porque na verdade não existe análise de sonho propriamente dita, o que importa é mais o que o paciente acha que aquilo quer dizer do que a interpretação do terapeuta em si.
Aí são só especulações. E são essas especulações que fazem com que você libere o conteúdo do inconsciente.
Freud chama isso de associação livre. Mas na terapia que eu faço a tal da técnica e fundamento dela parte de outros princípios básicos, prncípios estes peças-chave para o rompimento de Jung com Freud. (lá vou eu psicologisar)
No Waking life(pra quem não sabe é um filme que eu adoro, ou adorava, até assistir mais outros melhores que esse), tem um diálogo do cara com um gordinho heavy metal muito figura, e no fim ele fala isso:"Super profundo on the early eve of your day" (Super profundo no precoce anoitecer do seu dia). O gordinho disse que é a fala de um personagem recorrente nos sonhos dele, e que isso foi dito ao pé do seu ouvido.
Os sonhos são cheios de mensagens que à princípio (meio e fim) não tem nenhuma razão de ser. Mas tome cuidado: o delírio metafísico começa quando agente acha que em tudo está contido uma mensagem. A verdade é que agente sempre atribui significado, a tudo, sempre. Normal. É a força motriz do ser humano pra continuar seguindo em frente, oras... Mas cuidado! É como o esquizofrênico, que vê mensagens onde não tem.
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Eu tava pensando...
Agente atribui significado pra tudo, é quase que impossível não fazê-lo pois é assim que nossa mente "acomoda" a realidade percebida. Eu estudei isso na faculdade, além do mais, já vivi isso em diversas viagens de ácido, e mais ainda, já vi esse sistema ser desconstruído numa desas viagens FODA.
Eu acho que isso também acontece muito no cinema. Eu estou pensando em pesquisar isso. O lance da sutileza de uma cena sem narrativa, mas que você entende TUDO só pelo "olhar" do ator. Será que esse "entender tudo" não é só mais uma projeção de sentido, como agente faz com tudo na vida? Será que agente só vê aquilo que tem dentro da gente, aí agente entende TUDO que o diretor queria dizer com aquela tomada tal? Será que "os olhos são a janela da alma" só porque ele reflete a imagem do outro? Você se enxergando nos olhos da outra pessoa, projetando o que você tá sentido, e assim presumindo prepotentemente o que outro está sentindo? O cinema é assim, e os cineastas grandes artistas do Espelho na sala de projeção. Até o nome técnico "sala de projeção" tem a ver com isso tudo.
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é isso. e digo ao pé do ouvido: Super profundo no precoce anoitecer do seu dia...
°Sagazz no Teatro Mágico°
Comentários: só para raros...só para l.o.u.c.o.s: