"Arde então em mim um selvagem anseio de sensações fortes, um ardor pela vida desregrada, baixa, normal e estéril, bem como um desejo louco de destruir algo, seja um armazém ou uma catedral, ou a mim mesmo, de cometer loucuras temerárias, de arrancar a cabeleira a alguns ídolos venerandos, de entregar a algum casal de estudantes rebeldes os ansiados bilhetes de passagem para Hamburgo, de violar uma jovem ou torcer o pescoço a algum defensor da ordem e da lei. Pois o que eu odiava mais profundamente e maldizia mais era aquela satisfação, aquela saúde, aquela comodidade, esse otimismo bem cuidado dos cidadãos, essa educação adiposa e saudável do Medíocre, do Normal, do Acomodado"
Sexta-feira, Março 31, 20061:12 PM
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Abaixo a revista Veja! Pague 400 reais por ano pra receber uma pilha de propagandas por semana!!!
Ok, ok, não vou dar uma de mané preguiça e dizer "eu já não leio os veículos de mídia de massas", como uma tosca amiga da Gabi fez um dia na festa de aniversário do Dani. Fiquei puta com esa frase, mas a verdade é que quando eu fazia jornalismo (19/20 anos...) e morria de preguiça de ler jornal e o caralho a quatro, eu dizia exatamente essa frase, sem brincadeira, e assim transformava minha preguiça em protesto, assim, pra ficar mais bonito e todo mundo pagar um pau pra mim. Bom, pelo menos na minha cabeça era assim que funcionava. Transformar preguiça em protesto é ferramenta amplamente usada pelos pseudo-quase-intelectuais pós-modernos super eruditos pró-nitzcheanos contemporâneos, mais conhecidos como alunos da PUC. É fácil identificá-los. O esforço em parecer diferente massifica a aparência e todos acabam ficando meio iguais. É só dar uma circulada pela Augusta, lá no louvado-seja Espaço Unibanco, pra ver... os moderninhos, super IN... Uniforme: usam sapato de boneca vermelho, colar de sementes ou bolas coloridas, cachecol, cabelos escuros, bronzeado paulistano, bolsas coloridas e divertidas, óculos com armação de acetato (nem sempre do original). Os homens quase sempre parecem estar meio doentes, por causa da magresa "Cênica". Fica bom na hora de fazer performance pelado né?
Bom anyway...
Fui quase obrigada a ler a revista Veja, que abomino até não poder mais. Meu sogro simplesmente fez, não uma, mas duas assinaturas daquele papel higiênico publicitário.
Bom, de saco cheio de receber não duas, mas quatro revistas toda sexta feira (junto com a revista principal vem a Veja São Paulo), pedi para o gui que trocasse pelo menos uma das assinaturas por outra revista que preste.
Resultado: Com uma assinatura do papel higiênico burguês N° 1, assinei 4, sem brincadeira, 4 revistas muuuuuito superiores àquela merda. Simplesmente a assinatura anual da Veja custa mais de 400 reais por ano!
Agora eu assino a Bravo! (é uma bosta, mas melhor que muita coisa q tem por aí), a Vida Simples, que eu adoro, Nossa História, de historia do Brasil, e uma de educação lá q o Gui teve a idéia de jerico pra dar pra irmã dele.
Bom, convoco a todos que lêem essa merda aqui, e que os pais assinam a Veja, que lutem pelo abandono dessa assinatura. Pois além de a revista ser voltada pros burgueses, e olha q ser chamado de burguês é a mesma coisa de ser chamado de Wanna Be ( quer ser nobre?), altamente tendenciosa e nem um pouco objetiva.
Vai ler Gibi porra!
°Sagazz no Teatro Mágico°
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Quarta-feira, Março 15, 200612:36 PM
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Isa:
Great comment! Adoro indicações.
Porém, algumas, se você andar pra trás aqui neste blog, vai descobrir que já passaram por mim.
Filosofia na alcova: Sim, já vi, duas vezes! Adoro, a segunda vez foi melhor, depois de quatro anos de intervalo... Sade já está no meu repertório não só no teatro. Possuo dois enormes volumes de quadrinhos eróticos de Guido Crepax. Não sei se conhece bem, é como um precursor de Lourenço Mutarelli, só que altamente sexual. Nos meus volumes tem cerca de sete trabalhos de Sade adaptados para quadrinhos em nanquim. Adoro e recomendo!
Sertões: Sim, estou familiar com os experimento Zé Celsianos!!! Não fui ver os sertões, mas a repercussão de seus trabalhos estão sempre pelo jornal, inclusive quando ele foi apresentar na Alemanha (escandalizou!).
Yoga: Se passear pelos posts do ano passado vai encontrar yoga em vários tópicos. Eu estava praticando em casa com um personal, meu guru, mas ele foi embora e agora estou órfã de guru. Mas assim que a corrida pegar direito, volto pra yoga com mais força e coragem. Mas valeu o toque. Pra quem quer emagrecer, yoga só não dá.
Grande beijo, te adicionei no msn.
Alice Diet
°Sagazz no Teatro Mágico°
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Domingo, Março 12, 20061:45 PM
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De 66 para 64 - experimentos no mundo dos sarados...
Então tá, quase três semanas e dois quilos a menos.
Já dá pra ver os ossos da clavícula e meu rosto começa a retomar os contornos.
A barriga diminui, assim como a bunda. Não consigo ver isso, mas o Gui jura de pé junto que estou "menor".
Terça feira foi meu primeiro dia de exercícios. Me filiei a um grupo chamado TPM - Treinamento para mulheres. Consiste num grupo de mulheres liderado e orientado por duas professoras de educação física. O treinamento é feito no parque e é voltado para a corrida. Intercala-se circuitos de corridas com caminhada (1 minuto correndo, 2 andando) por dez minutos, com intervalos preenchidos com exercícios de solo (abdominais, agaixamentos, flexão de braço). Depois volta pra correr e andar. Quase morri. Nunca havia corrido antes na minha vida. Suando em bicas.O cigarro falou bem alto. Parecia que tinha uma agulha dentro do meu pulmão espetando a parede, sempre do lado direito, acima. Deve ser lá que está a minha mancha de nicotina mais grave.
Nunca ninguém havia me dito com plena convicção que exercícios físicos fazem você se sentir tão bem. Se eu soubesse antes já teria começado faz tempo. Anti depressivos nunca mais! Que raiva me deu pensar que eu ia no psiquiatra e ele me passava aqueles remédios, me dizendo que eu estava mesmo deprimida e que precisava tomar aquilo pra me sentir melhor. Cara, se você estiver se sentindo pra baixo, deprimido, cansado, sai correndo! Na boa! Melhor que qualquer balinha que você tomar! Eu juro!
E quando chego em casa, tomo aquele banho que parece que tomei um acido e dancei o dia inteiro. Você sente todas as gotas de água na sua pele, é uma experiência e tanto!
E acordar seis e meia da manhã? Nossa, eu odeio acordar cedo. Mas tem valido muito o esforço. E não tomar cerveja também, e não comer macarrão, nem batata frita, nem coca cola... Ai, coca cola, minha cola querida, que saudades de você...
Mudando o assunto...
É por isso que eu agüento São Paulo...
Ontem fui pela primeira vez no Centro Cultural São Paulo, lá na Vergueiro. É um lugar um tanto "popular". Estou mal acostumada, freqüentando os "cults" da zona sul, então resolvi quebrar a rotina e fazer diferente. Paguei 6 reais pra is no teatro!!! Fui ver pela primeira vez uma peça de teatro amador. Chama-se "Aperitivos", é um texto de comédia adaptado de um americano. Não é lá essas coisas, mas foi bom pra distrair, é como ir ver um filme de Sandra Bullock no cinema, manja? Mas o que eu gostei especialmente foi da sala de teatro em si. Primeiro que a peça estava lotada mas todos os lugares da sala eram bons. E segundo, e melhor, as cadeiras balançavam! Cara, nunca tinha ido numa sala onde as cadeiras balançavam. Muito gostoso. Adorei.
Outra sala que fui a mais ou menos um mês pra ver uma peça ótima foi o Teatro da Memória, no centro. Este espaço é exatamente o que eu desejo de uma sala de teatro. Bem pequeno mas bem estruturado. A proximidade com os atores é quase dolorosa. Eu vi uma peça francesa chamada "Suíte 1". Fomos eu e o Gui, e o Barba com Aline. Acho que eu fui a única que gostei. Peça complicada. Intensa, meio maluca. Achei interessante, musical... No começo quando os atores subiram ao palco e começaram a se posicionar, um silêncio ardido tomou conta do ambiente. Eles, os atores, se entreolhavam, e olhavam para nós, numa coisa bem bilateral, quase incômoda, sem falar nada. E ficaram nessa por uns longos minutos, até meu querido Barba não se conter e soltar um riso antes reprimido, que ao primeiro soar, retornou com os outros expectadores rindo juntos, assim como os próprios atores. Parecia um teste. Quem ia rir primeiro, quem ia reagir primeiro. Nunca esperava que fosse, ele, o Barba, o nosso feitor da alforria.
A peça inteira eram fragmentos de diálogos. Pessoas que tinham sempre a mesma fala, dizendo sempre a mesma coisa. Personagens bem caricatos, aquela coisa que você ouve na padaria, de espreita... Mas no meio do caos irreflexo, pérolas revelavam do que se tratava a história, aparecia sempre um traço, uma pista, e nós tínhamos que ir juntando os pedaços pra formar uma lógica profunda no meio da banalidade desses diálogos vazios das padarias aí pelo mundo. Gostei, gostei. Era como um oposto de mise en céne.
Por isso adoro morar em São Paulo, mesmo odiando.
Aqui eu posso, mesmo que eu não vá muito, conhecer o mundo através da cultura, que cái aqui por todos os lados, como manga passada. Basta querer, basta topar pegar uma filinha no sábado à noite, basta querer sair de casa.
Decidi fazer isso tudo, mesmo que o Gui não vá comigo. Senão, qual seria a utilidade de morar aqui nesse inferno senão pelas coisas que uma capital cosmopolita poderia oferecer?
Eu vejo em média 3 filmes por dia.
Quero aumentar essa média. A maioria das vezes eu vejo em casa. A experiência do cinema é muito mais agregadora. Desentoca Alice!!!!
Por falar em ficar em casa, uma dica pra quem gosta de cinema psicologizado: Lançou essa semana a edição em DVD de La Luna, do Bertolucci (pra quem não conhece, foi o diretor de O ultimo tango em Paris). É o filme dele que eu mais gosto, mas por muito tempo foi meio banido por ser muito "ousado". Também acho que é muito ousado, afinal, ele pegou o conceito mais conhecido de Freud, o tal complexo de Édipo, e concretizou na tela, do jeito mais chocante que se poderia imaginar: uma mãe que marturba o filho num desamparado desespero pela sua salvação do vício da heroína. FODA! Quem tiver estômado moral não pode deixar de ver!!!
°Sagazz no Teatro Mágico°
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Segunda-feira, Março 06, 20062:49 PM
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Algumas notícias do mundo de Adocicada (agora só com aspartame!!)
Pode rir da minha cara, eu mesma nunca me imaginei fazendo isso, mas já é fato oficial: estou de dieta!
Nunca havia feito dieta na vida, a não ser de engordar, pois eu era magra como um pau, vivia com as roupas pendurando. Mas a incorformidade falou mais alto. Os meus 66/67 kilos não me agradam e me olho no espelho sem reconhecer aquela mulher cheia de curvas exaltadas, e tendo que esconder minha barriga sob batas e outros recursos larguinhos por si só.
Foi um choque pra mim quando nos primeiros seis meses em São Paulo eu engordei nada mais nada menos que 10 kilos!!! No começo foi engraçado. Olhando para trás, me lembro de pensar que as minhas roupas estavam encolhendo, até perceber uma protuberância na linha da cintura, que já não estava assim... um pilãozinho!
Logo vi que algo estranho estava ocorrendo no meu corpo. Meu rosto perdeu um pouco do lindo contorno que marcava o osso do maxilar e o queixo pontudo. Os ossos da clavícula, que antes dava pra encher d'água e fazer uma piscininha agora eram apenas uns discretos calombinhos abaixo do pescoço. Os peitos, antes "carinhosamente" batizados pela minha melhor amiga de "azeitonas", agora estão mais para mamão papaya. A barriga, antes sempre à mostra, sem vergonha, e de dar inveja e qualquer uma, agora tem rugas, pois quando eu sento ela dobra como os bracinhos de um bebê rechonchudo. Da cintura pra baixo então, que tristeza... Pulei de um modesto 38 nas calças, para enormes 42/44, dependo da marca. Foi um choque. Achava essa história de querer emagrecer, ficar fazendo dieta, indo na academia, essa caralhada toda, uma besteira sem fim. Mal sabia eu: era gostosa e nem fazia idéia...
Fui ao endocrinologista na esperança de estar com um hipotireoidismo. Pra quem não sabe, é uma deficiência na produção de hormônio estimulante da tireóide (TSH), e quando ele está sendo produzido deficientemente, há ganho de peso, diminuição da resistência física, hipersudorese, queda de cabela, diminuição do apetite sexual, entre outras coisas.
Eu encaixava perfeitamente no perfil, então havia esperanças. Nada de dieta, o que eu queria mesmo era tomar um remedinho e tudo voltaria ao normal. Mas não era nada disso, infelizmente.
Os exames de sangue apontaram apenas uma elevação no colesterol e no triglicérides, indicação de má alimentação.
Claro. Vivo comendo hamburguer e pizza, e coca cola então, é meu ópio...
É claro que o Guilherme não ajuda muito. Nunca vi alguém comer tão mal como ele. E eu, obviamente, fui na onda e me esbaldei desmedidamente.
Bom, já que o plano do hormônio de tireóide não deu certo, lá vou eu pra dieta.
A médica passou uma dieta meia boca. Não é dificil de fazer. Fazem duas semanas que estou cumprindo à risca os tais mandamentos, e já me sinto muito melhor fisicamente. Os que me conhecem vão estranhar, mas eu até diminui minhas idas ao banheiro, que eram de uma frequência exagerada, não era, gente?
É claro que a médica também me passou um moderador de apetite. Ele é quase como um anti depressivo. Não tem afetamina, mas eu tenho sentido bem menos fome, e quando eu como, me contento com pouco.
Esta semana também, para complementar meus esforços, começo com os exercícios.
Isso sim está me dando uma preguiça terrível. Odeio acordar cedo, odeio fazer qualquer esfroço físico. Mas é para um bem maior... hehehe.
Estou com a sensação de que já perdi dois quilos. Tenho que perder seis. Queria perder dez.
Torçam pra mim. A vida saudável não é para os fracos. Não estou sofrendo, por enquando.
O que me mata é não poder tomar uma cervejinha gelada quando bate a vontade...
°Sagazz no Teatro Mágico°
Comentários: só para raros...só para l.o.u.c.o.s:
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